
Da esquerda para a direita: Carlos Moedas, presidente da CM. de Lisboa; Liliana Valpaços, diretora executiva da Mundu Nôbu; Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República; Dino D’Santiago, presidente da Mundu Nôbu; e João Alvadia, membro da direção da Mundu Nôbu. Foto: Direitos reservados.
Uma organização não-governamental (ONG) criada para apoiar as comunidades menos representadas da sociedade, abrindo espaço à sua emancipação. Este é o grande propósito do projeto Mundu Nôbu, lançado no final do passado mês de maio pela gestora Liliana Valpaços e pelo cantor Dino D’Santiago.
“A Mundu Nôbu foi criada com um objetivo: combater a falta de representatividade das comunidades mais vulneráveis na sociedade portuguesa. O facto de não haver diversidade em cargos de influência e liderança acaba por fortalecer estereótipos negativos e por limitar os sonhos, principalmente das pessoas mais jovens”, afirma Liliana Valpaços, numa mensagem enviada ao 7MARGENS.
Os mentores desta estrutura argumentam que, sendo Portugal um país de enorme multiculturalidade, aberto à imigração e de relações muito próximas com os países africanos de expressão portuguesa, este projeto surge como um veículo de identificação e promoção do potencial cultural, académico, científico e empresarial que deriva dessa diversidade.
“Temos como prioridade trabalhar com adolescentes e jovens adultos, ajudando-os a identificar vocações, talentos e oportunidades, mostrando caminhos de realização pessoal e profissional. Muitos deles acham que só podem quebrar ciclos de pobreza e limitação profissional se tiverem um talento excecional para a música ou para o desporto (onde se veem representados). Mas a verdade é que há outras possibilidades e estamos aqui para os ajudar”, refere Liliana Valpaços.
O principal projeto que a Mundu Nôbu tem agora em mãos, e que será iniciado em setembro próximo, intitulado “O Teu lugar no Mundo”, visa auxiliar os jovens em contexto vulnerável e de grupos sociais menos representados a desenharem o seu projeto de vida e a serem eles mesmos agentes da mudança social. “Este programa é a oportunidade que eu gostava de ter tido quando era adolescente. Ter uma equipa que acreditasse em mim, no meu talento, me proporcionasse diferentes experiências, me abrisse portas e me dissesse que não é sonho nenhum” menciona Dino D’Santiago. “Com a criação da Mundu Nôbu queremos empoderar e inspirar estes jovens a atingirem todo o seu potencial e mostrar-lhes que há muitas oportunidades para eles agarrarem e serem fiéis à sua verdade e não a estereótipos”, acrescenta.
Este programa de longa duração tem como objetivo envolver 160 jovens, dotando-os de pensamento crítico e de consciência individual e social, com vista a uma maior autoeficácia e capacidade de tomar decisões em benefício próprio e da sociedade. Incluirá reuniões e atividades semanais com grupos de jovens acompanhados por mentores nos quais serão abordados diversos temas curriculares.
“O ponto de partida são os talentos e sonhos destes jovens, que queremos ajudar a definir e a alcançar. Vamos organizá-los em grupos de 20 participantes, que queremos que sejam uma extensão da sua família, uma rede de apoio na transição para a vida adulta. É profundamente injusto ver jovens com muito potencial, que simplesmente por não se verem representados ou não terem condições económicas, vivem sem acreditar que podem chegar mais longe e ocupar um lugar no mundo que é seu por direito”, lamenta Valpaços.
Quanto ao envolvimento de Dino D’Santiago no projeto, Liliana Valpaços assume que, “além de músico, sempre foi uma pessoa muito dedicada a causas sociais. Não é por acaso que as Nações Unidas o reconheceram como uma das 100 vozes mais influentes de descendência africana em todo o mundo. Antes da Mundu Nôbu já vinha a trabalhar com grupos vulneráveis, por exemplo, no estabelecimento do Linhó”. “Quando nos conhecemos, há dois anos, relembra, sentimo-nos unidos por esta vontade de lutar contra injustiças. Sentimos que era importante contribuir para que todas as pessoas, independentemente da sua origem ou etnia, pudessem sonhar com a mesma ambição, num mundo onde a diversidade é celebrada e não um problema.”
Numa primeira fase, o projeto arranca na cidade de Lisboa, contando com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa e da Gebalis, mas também da Lisboa Cultura, Fundação Calouste Gulbenkian, Emerald Group, BPI Fundação “la Caixa”, Banco de Portugal, PwC, Randstad, PBBR Advogados, IKEA, Microsoft, Worten e EURO M’.










