Entre 2004 e 2023, a Igreja Católica nos Estados Unidos da América (EUA) pagou mais de cinco mil milhões de dólares no âmbito de 16.276 casos credíveis de abuso sexual de menores por parte de padres, diáconos ou religiosos. Cerca de 3,8 mil milhões foram entregues a vítimas comprovadas de abusos, 875 milhões serviram para pagar advogados e outros serviços jurídicos e 293 milhões de dólares foram empregues no apoio aos supostos e aos confirmados abusadores.
Estes dados constam de um relatório do Centro de Investigação Aplicada ao Apostolado da Universidade de Georgetown divulgado no dia 15 de janeiro e noticiado pelo jornal digital Religion News Service (RNS) nesse dia. A investigação que deu origem ao documento agora publicado foi encomendada em 2004 e paga pela Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos. Jonathon Wiggins, que dirigiu a investigação, disse à RNS que o relatório representava um “excecional compromisso da Igreja Católica com a transparência”, “não tem precedentes em qualquer organização não governamental e é o maior esforço deste tipo realizado nos EUA”.
Durante os 20 anos da investigação, os entrevistados relataram 16.276 alegações credíveis de abuso sexual de menores por parte de padres, diáconos ou frades. Embora as investigações sobre crimes de abusos sexuais no interior da Igreja Católica dos EUA sejam da primeira década deste século, a maioria das acusações certificadas referem-se a abusos que começaram antes de 1980, sendo que a esmagadora maioria (92%) terá tido início antes de 1989. Contudo, 542 alegações credíveis dizem respeito a abusos cometidos já este século.
Os casos certificados envolvem menores entre 5 e 9 anos (20%) ou entre os 10 e os 14 anos (50%), sendo 80 por cento rapazes. Nos anos em que os perpetradores foram denunciados pelas dioceses e comunidades religiosas masculinas, 86 por cento dos abusadores já tinham morrido, sido afastados do ministério, laicizados ou estavam desaparecidos. Cerca de 14 por cento dos perpetradores foram afastados ou solicitaram a “redução” ao estado laical, durante o ano do inquérito.
Os custos financeiros da crise dos abusos remodelaram a Igreja Católica nos Estados Unidos. Quatro centenas de dioceses católicas e organizações religiosas colocaram-se sob proteção contra falência e muitas dioceses referiram as despesas da resolução de reclamações de abuso como parte de sua decisão de declarar falência.
(Foto de destaque: Bispos americanos reunidos em assembleia. Foto © Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos.)










