
Por todo o mundo, mais de um milhão de pessoas se juntaram a este apelo da Amnistia Internacional. Foto © AI
A Amnistia Internacional entregou ao Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, nesta quinta-feira, 7 de dezembro – dia em que se assinalam dois meses de conflito no Médio Oriente “marcados por constantes ataques ilegais e um número cada vez mais assustador de mortes” – uma petição assinada por mais de 13 mil pessoas em Portugal a exigir “um cessar-fogo entre o Estado de Israel e o Hamas“.
A representar a organização de defesa dos direitos humanos no Palácio de Belém estiveram a Presidente da direção internacional da AI, Anjhula Mya Singh Bais (a mais jovem e primeira indiana a ocupar este cargo), a presidente da direção da Amnistia Internacional Portugal, Patrícia Filipe, e o seu diretor executivo, Pedro A. Neto.
Além das mais de 13 mil pessoas que assinaram a petição a nível nacional, esta foi também subscrita por, pelo menos, 72 organizações da sociedade civil em Portugal. Por todo o mundo, mais de um milhão de pessoas se juntaram a este apelo.
“O cessar-fogo é a única forma de salvar vidas”
“Somos já mais de um milhão a apelar por este tão necessário cessar-fogo, capaz de privilegiar uma proteção efetiva de civis e dos reféns, bem como a ajuda humanitária à Faixa de Gaza e a realização de investigações internacionais independentes sobre os crimes de guerra cometidos por todas as partes”, destaca Pedro A. Neto, em comunicado enviado ao 7MARGENS.
E acrescenta: “Seremos ainda mais, porque não há forma de o número de assinaturas não crescer quando é tão evidente o desprezo flagrante das vidas civis que temos testemunhado nas últimas semanas. Não há como ficar indiferente a este sofrimento. O cessar-fogo é a única forma de salvar vidas. O cessar fogo é a única forma de olhar para as causas profundas deste conflito e de o começar a resolver em definitivo”.
Ao longo das últimas semanas, a organização tem alertado que o fim dos ataques ilegais travaria quer o sofrimento dos civis de ambos os lados, quer o número de mortos que aumenta a cada dia. Desde dia 7 de outubro, mais de 15 mil palestinianos foram mortos na Faixa de Gaza, entre os quais pelo menos 5.500 crianças. Por sua vez, em Israel, pelo menos 1.400 pessoas foram mortas, refere a AI.
O cessar-fogo é fundamental “também para negociar a libertação daqueles que permanecem reféns, proporcionando-lhe um regresso seguro para junto das famílias”, sublinha a organização no seu comunicado.” É ainda crucial para que as agências humanitárias façam chegar o seu apoio à Faixa de Gaza, aliviando a crise humanitária que se sente.”
“Os EUA têm de parar de transferir armas para Israel”

A Amnistia Internacional encontrou fragmentos caraterísticos da munição nos escombros de casas destruídas no centro de Gaza, na sequência de dois ataques que mataram um total de 43 civis. Foto © AFP/Mahmud Hams, via UNOCHA
Nas vésperas da entrega desta petição em Belém, a Amnistia divulgou o resultado de uma investigação em que concluiu que munições fabricadas nos EUA foram utilizadas pelas forças armadas israelitas em dois ataques aéreos mortais e ilegais contra casas cheias de civis na Faixa de Gaza.
“A organização encontrou fragmentos caraterísticos da munição nos escombros de casas destruídas no centro de Gaza, na sequência de dois ataques que mataram um total de 43 civis – 19 crianças, 14 mulheres e dez homens. Em ambos os casos, os sobreviventes disseram à Amnistia Internacional que não tinham sido avisados de um ataque iminente”, pode ler-se no relatório da investigação.
“O facto de as munições fabricadas nos EUA estarem a ser utilizadas pelos militares israelitas em ataques ilegais com consequências mortais para os civis deveria ser um alerta urgente para a administração Biden. As armas fabricadas nos EUA provocaram as mortes em massa de famílias numerosas”, afirma Agnès Callamard, secretária-geral da Amnistia Internacional.
A responsável considera que “os EUA e outros governos têm de parar imediatamente de transferir armas para Israel que, muito provavelmente, serão utilizadas para cometer ou aumentar os riscos de violações do direito internacional”. “Ajudar conscientemente a cometer violações é contrário à obrigação de garantir o respeito pelo direito internacional humanitário. Um Estado que continua a fornecer armas que são utilizadas para cometer violações pode partilhar a responsabilidade por essas violações”, conclui Callamard.









