
O secretário-geral da ONU António Guterres, durante o encontro com uma família de deslocados internos num campo em Baidoa, no sudoeste da Somália. Foto © ONU / Sourav Sarker.
A tradição ainda é o que era para o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que durante o mês do Ramadão faz questão de visitar sempre um país muçulmano. Esta terça-feira, 11 de abril, desembarcou na Somália, cuja crise humanitária continua a agravar-se depois de cinco anos consecutivos de seca, e para o qual pediu um “apoio internacional massivo”.
O objetivo desta viagem, partilhou António Guterres com os jornalistas, foi “soar o alarme” para as necessidades crescentes da Somália. O país, recordou, contribui com apelas 0,003% das emissões que provocam as alterações climáticas, mas os somalis estão entre as maiores vítimas das mesmas, com quase cinco milhões de pessoas no nível de insegurança alimentar aguda.
De acordo com o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha), 8,25 milhões de pessoas (quase metade da população da Somália) precisam de assistência humanitária e proteção devido às alterações climáticas. Destas, cerca de 3,8 milhões são deslocados internos e 1,8 crianças gravemente desnutridas. As estimativas indicam ainda que 8 milhões de somalis não têm acesso a água, saneamento e higiene adequados. E dois terços de todos os habitantes em áreas afetadas pela seca não têm acesso a cuidados de saúde essenciais.
Somalia embodies Ramadan’s timeless message of renewal and hope.
In these challenging times, I commend the energy and resilience of its people.
The @UN and I stand in solidarity with you. pic.twitter.com/LGgLm0RfKo
— António Guterres (@antonioguterres) April 12, 2023
Ao lado do coordenador humanitário da ONU para a Somália, Adam Abdelmoula, o secretário-geral visitou somalis afetados pela crise humanitária no campo de deslocados em Baidoa, a maior cidade do estado do sudoeste do país.
Após ouvir histórias de somalis que perderam toda a sua produção devido à seca, António Guterres pediu aos doadores e à comunidade internacional para intensificar o apoio ao Plano de Resposta Humanitária de 2023, que atualmente conta com apenas 15% de financiamento,
De acordo com Guterres, além de prevenir a desnutrição e o deslocamento de pessoas, uma maior apoio permitiria iniciar um novo processo de estabilização e desenvolvimento no país e ainda aumentar as suas capacidades para combater o grupo terrorista Al Shebab, que se juntou à rede Al Qaeda em 2012 e continua a controlar as áreas rurais do centro e sul da Somália, realizando frequentemente ataques na capital, Mogadíscio, e noutras partes do país para desestabilizar o governo central.
O Presidente da Somália, Hassan Sheikh Mohamud, reconheceu que este é um “momento difícil” para o seu país e manifestou “profundo apreço” pela solidariedade de Guterres e da ONU para com o povo e o governo somalis.
Além das visitas, a união através do jejum
O secretário-geral da ONU não mantém apenas a tradição de visitar países muçulmanos durante o Ramadão, mas também a de se unir, durante um dia, ao jejum tradicionalmente praticado pelos fiéis daquela religião ao longo deste período.
António Guterres iniciou esse costume quando era chefe da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), cargo que deixou em 2015. Ao assumir o cargo de secretário-geral, decidiu ampliar o foco que tinha nos refugiados para expressar solidariedade também com outras comunidades em sofrimento.
Em 2022, durante o Ramadão, esteve no Senegal, Níger e Nigéria. Este ano, a expressão de solidariedade de Guterres acontece num momento em que cristãos e judeus também celebram a Páscoa ou Pessach. O momento atual é assim, “de união para aqueles que acreditam em Deus de diferentes maneiras, com diferentes expressões para que juntem as suas vozes numa oração comum pela paz”, defende.
This year, #Ramadan, #Passover and #Easter coincide – an opportunity to come together for peace.
This is the moment, for those that believe in God in different ways, with different expressions, to join their voices in a common prayer for peace.
— António Guterres (@antonioguterres) April 7, 2023










