O 7MARGENS acompanha os trabalhos da Assembleia-Geral do Sínodo dos Bispos sobre a Sinodalidade, divulgando as expectativas dos seus leitores sobre este importante acontecimento (ver textos já publicados aqui ).

Embora com atraso na escrita prometida, consegui finalmente alinhavar algumas ideias, partindo da Jornada Mundial da Juventude e dos caminhos da sinodalidade.
Quero também lembrar que por estes dias vivi com entusiasmo a participação no acolhimento de dois jovens noruegueses e acompanhei intensamente tudo o que foi acontecendo durante a visita do Papa Francisco a Portugal.
Li, entretanto, alguns textos publicados no 7 MARGENS, que subscrevo inteiramente, como o da Rita Reino Assunção e o do Jorge Paulo.
Entre leituras, reflexões e repetições, fui desembocar no problema do desfasamento entre as práticas de oração que chamaria “tradicionais” e o meu desejo de conversa com Deus. Na paróquia, aquelas orações estão integradas numa hora de adoração, com cânticos, ladainhas e recitação de terços, mas não satisfazem a minha necessidade de uma oração, em silêncio ou partilhada, dando graças, apelando à Paz, ou meditando a partir de um texto que foi lido, escutado e partilhado, fazendo despertar algo de novo, nessa conversa entre nós e Deus.
Já vivi algum tempo em diferentes locais, desde o Minho, às Beiras e ao Alentejo, mas quase sempre os rituais se repetem, mais ou menos da mesma forma.
Ultimamente, enquanto participante na Rede Cuidar da Casa Comum /Foco de Conversão Ecológica de Envendos, tenho procurado que façamos momentos de oração a partir de textos poéticos (o cónego António Rêgo tem um livro muito interessante nesta área —O Eterno Agora). Penso que poderemos dinamizar um pequeno grupo com quem consigamos juntos aprender a percorrer caminhos de sinodalidade, alargando horizontes e consolidando o fluxo do amor entre nós e com quem quiser entrar.
Por outro lado, a vida de cada paróquia precisa de ser animada e partilhada como uma comunidade, sem se limitar apenas à administração financeira e burocrática. Podem-se construir pontes entre o pároco e dois ou mais grupos com iniciativas conjuntas para dar vida a formas de oração, a práticas sociais, ou outras, conforme a sua dinâmica. A existência de uma equipa coordenadora, composta por representantes de cada grupo, que assuma partilhar as situações de risco social, colaborar no apoio às famílias mais necessitadas e animar iniciativas que fortaleçam a vida comunitária paroquial pode constituir um importante caminho a percorrer. A participação dos paroquianos em geral nas decisões a tomar e na preparação de momentos de oração partilhada, nomeadamente no espaço da Oração dos Fiéis, ou no momento do ofertório, pode permitir formas de exprimir a nossa relação como comunidade.
Com uma dinâmica paroquial e interparoquial, os párocos também não ficarão tão isolados nas suas múltiplas funções e a comunidade paroquial terá mais vida, mais partilha e mais alegria.
Que equipas paroquiais se querem disponibilizar para contar a sua história de vida?
António Cardoso Ferreira é médico










