
Igreja de Xishiku em Pequim, China: a “governação rigorosa da religião” faz parte da “sinização”, diz o Partido Comunista Chinês. Foto © Gene Zhang no Flickr, via Wikimedia Commons
As autoridades governamentais chinesas preparam-se para reforçar a vigilância às igrejas cristãs protestantes do país. Esta é uma das principais leituras que se pode fazer da “Reunião de Intercâmbio sobre a Implementação Cristã na China da Governação Estrita da Religião”, que decorreu nos passados dias 27 e 28 de junho, afirma a revista italiana Bitter Winter, publicação dedicada a temáticas de liberdade religiosa, política e direitos humanos.
Nesse encontro, onde estiveram presentes vários funcionários do Partido Comunista Chinês (PCC) e os principais líderes cristãos do país, foi comunicado aos líderes protestantes presentes que estes se devem “esforçar mais para garantir a aplicação rigorosa das regras estipuladas para a religião a nível nacional”.
Antes desta reunião, realizou-se também um seminário nacional sobre a “sinização” religiosa na nação chinesa. A sinização é a ideologia política veiculada pelo PCC. O seu principal objetivo é impor princípios rigorosos a indivíduos e organizações para garantir a lealdade ao partido e à sua liderança, como recorda a UCA News.
Os funcionários do PCC transmitiram, nesta conferência, que a “governação rigorosa da religião” faz parte da “sinização” e significa que os pregadores e os sermões devem ser rigorosamente controlados. Os líderes cristãos devem, por isso, aceitar e compreender a importância do estudo, do ensino e da pregação do pensamento de Xi Jinping [Presidente da China] sobre o “socialismo com características chinesas para a nova era”, bem como dos discursos e posições de Xi.
Para além disso, os membros do PCC observaram que, por várias razões, os organismos cristãos e os seus líderes “não são suficientemente eficazes” ou talvez não disponham de recursos para implementar uma “governação abrangente e rigorosa da religião”. Os líderes cristãos foram instados a “aprofundar a compreensão ideológica” e a “aceitar a supervisão” direta do Departamento de Trabalho da Frente Unida afeto ao PCC. Nesse sentido, foi também solicitado aos líderes da Igreja que reproduzissem os testemunhos das “melhores práticas” de governação da religião de diferentes províncias e regiões chinesas.
Sob o ponto de vista normativo e oficioso, a Constituição da China permite a liberdade de religião ou crença, e o Estado reconhece cinco religiões organizadas como entidades legais: budismo, taoísmo, islão, catolicismo e protestantismo. No entanto, o PCC é regularmente criticado por diversas organizações de defesa dos direitos humanos pela sua “implacável repressão das religiões” através de uma série de leis e políticas tremendamente castradoras da liberdade religiosa.
Todos os clérigos e grupos religiosos têm de se registar junto do Governo e obter autorização prévia para realizar atividades ligadas à religião, incluindo obras de caridade. Qualquer pessoa que viole estas regras pode ser detida ou mesmo torturada.









