
Igreja matriz das Areias. (Ferreira do Zêzere) vazia, já em tempo de pandemia. Deixará de haver de novo celebrações presenciais, decidiram os bispos. Foto Arlindo Homem
A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) decidiu, “embora lamentando fazê-lo”, suspender a celebração das eucaristias presenciais a partir do próximo sábado, 23 de Janeiro, tendo em conta o actual nível da situação pandémica que se vive no país. Também a realização de “catequeses e outras atividades pastorais que impliquem contacto” é interrompida.
Em comunicado divulgado às 13h desta quinta-feira, 21, a CEP diz que a decisão se manterá até novas orientações, traduz uma mudança de estratégia decidida em menos de 24 horas. Na quarta-feira, havia apenas uma chamada de atenção para a necessidade de “restringir ao máximo aquilo que possa ser ocasião de contágio”; mas, ao início da tarde desta quinta-feira, “tendo consciência da extrema gravidade da situação pandémica” em Portugal, os bispos passaram a considerar “um imperativo moral para todos os cidadãos, e particularmente para os cristãos, ter o máximo de precauções sanitárias para evitar contágios, contribuindo para ultrapassar esta situação”.
O que mudou? Na decisão dos bispos, como já se indiciava na declaração do presidente da CEP, terá pesado essencialmente a decisão do Governo em antecipar já para esta sexta-feira o fecho das escolas. No entanto, durante esta semana de hesitação em que se mantiveram as celebrações presenciais, surgiram publicamente críticas de diversos membros do clero, como o 7MARGENS deu conta, e também de leigos.
A CEP sugere que esta decisão deve ser complementada “com as possíveis ofertas celebrativas, transmitidas em directo por via digital” e que as exéquias devem continuar a ser celebradas segundo as orientações de Maio do ano passado e das autoridades competentes.
A excepção à regra agora anunciada pelos bispos são as dioceses insulares dos Açores e Madeira onde, para já, as celebrações presenciais são mantidas, com as regras de segurança que têm sido usadas. Em função da evolução da pandemia naqueles territórios, e em articulação com as autoridades de saúde, os respectivos bispos decidirão o que fazer.
O Santuário de Fátima, ao contrário, anunciou já a suspensão das celebrações presenciais, conforme o comunicado, e adiantando que haverá cinco tempos de oração diários transmitidos por meios digitais.
No comunicado, a CEP termina exprimindo a “especial consideração, estima e gratidão a quantos, na linha da frente dos hospitais e em todo o sistema de saúde, continuam a lutar com extrema dedicação para salvar as vidas em risco”; e pedindo que os cristãos continuem a rezar pelas vítimas mortais da pandemia.
Ao mesmo tempo, e à semelhança do que o Papa Francisco já fez em relação à Cúria Romana, o episcopado português anunciou igualmente o cancelamento do seu retiro, previsto para os dias 22 e 26 de Fevereiro.
Como o 7MARGENS também noticiara antes, entre muçulmanos e evangélicos também já há muitas orações e cultos suspensos, embora em ambos os casos cada comunidade tenha autonomia para decidir o que fazer, uma vez que a liberdade de culto é um direito reconhecido pela Constituição,









