Brasil: Evangélicos pedem afastamento de Bolsonaro

O pastor Silas Malafaia, que apoia Jair Bolsonaro, com o Presidente brasileiro, em Dezembro de 2019: muitos grupos evangélicos manifestam-se agora a favor da destituição de Bolsonaro. Foto: Isac Nóbrega/Presidência da República do Brasil
Quatro dezenas de igrejas, comunidades, organizações e movimentos evangélicos do Brasil publicaram um manifesto pedindo o afastamento do Presidente Jair Bolsonaro, acusando-o de uma “gestão inadequada durante a pandemia”, que “atenta contra a vida humana”, e defendendo que “ele tem dado provas de que não está à altura do cargo”. O documento, divulgado online, pode ser assinado por qualquer instituição ou cidadão e virá a ser entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Os subscritores pedem ao TSE que “assuma o seu papel constitucional e proceda ao imediato julgamento das ações de investigação social” interpostas contra Jair Bolsonaro e que solicitam a demissão do Presidente da República devido à “disseminação de mentiras durante a campanha eleitoral”, uma prática que “se tem mantido durante o Governo”, alertam.
“Manifestamos publicamente o nosso repúdio e indignação em relação à forma antiética com que o Presidente da República se tem comportado nesta grave situação do país, sem assumir a conduta exigida a uma pessoa que ocupa a liderança institucional executiva da nação”, pode ler-se no documento.
No manifesto, os diversos grupos evangélicos expressam ainda ser “fundamental” que as igrejas do país “não promovam cultos públicos presenciais”, apesar de Bolsonaro ter incentivado a sua realização, e que sejam seguidas “as recomendações e orientações de instituições de saúde e científicas”, repudiando assim as indicações dadas pelo Presidente, que contrariam as recomendações dos especialistas de saúde.
“Há tendência para associar os evangélicos com estes líderes [Jair Bolsonaro e Donald Trump], mas é importante que as pessoas percebam que, dentro da mesma Igreja, nem todos temos as mesmas opiniões. Uma das coisas mais importantes que a Reforma [de Lutero] nos trouxe foi a liberdade, até mesmo na interpretação das próprias escrituras”, salientou António Calaim, presidente da Aliança Evangélica Portuguesa, quando falou ao 7MARGENS a propósito da intenção de Donald Trump de suspender o apoio à Organização Mundial de Saúde.
Segundo dados avançados pelo jornal Folha de São Paulo, é no entanto entre crentes evangélicos e neopentecostais que Bolsonaro continua a reunir mais apoios. De acordo com uma sondagem feita no início de abril, os evangélicos tendem a avaliar de forma mais positiva o Presidente e a relativizar mais a pandemia do coronavírus.
O índice de ótimo ou bom atribuído à condução da crise por Bolsonaro passa de 33% na população em geral para 41% quando considerados apenas os evangélicos e estes são menos favoráveis à saída do Presidente: a percentagem cai de 37% na população em geral para 30% entre os evangélicos. E, enquanto apenas 37% da população considera que deverá ser permitido sair para trabalhar, entre a população evangélica o número de pessoas que discorda do isolamento sobe para 44%.
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