
Cardeal Gérald Cyprien Lacroix Foto © Twitter @gclacroix
Após uma interrupção voluntária de seis meses no cargo por suspeitas de ter abusado de uma rapariga de 17 anos há quatro décadas, o cardeal Gérald Cyprien Lacroix, do Quebeque, comunicou na passada segunda-feira, 24, que retomará as suas funções como arcebispo.
“Nunca, que eu saiba, fiz quaisquer ações inapropriadas em relação a qualquer pessoa, seja menor ou adulta”, afirmou Lacroix em janeiro deste ano, aquando da divulgação das suspeitas contra ele. “A minha alma e a minha consciência estão em paz perante estas acusações, que eu refuto”, acrescentou, citado pela Catholic News Agency.
Em março, o Vaticano encarregou André Denis, um antigo juiz do Tribunal Superior do Quebeque, de liderar uma investigação sobre este caso.
Já no mês de maio, o Vaticano disse que “não tomaria mais nenhum procedimento canónico” depois de a investigação não ter encontrado provas de má conduta ou abuso. Acrescente-se que Lacroix é membro do Conselho de cardeais que aconselha o Papa Francisco, é cardeal desde 2014 e arcebispo do Quebeque desde 2011.
Numa declaração emitida a 22 de julho pela arquidiocese, Denis considerou que “os elementos recolhidos durante a investigação tornam implausível a ocorrência dos factos atribuídos ao cardeal”. No entanto, a alegada vítima não participou na investigação e Denis referiu que o processo poderia ser reaberto se ela decidisse participar, nota a CBC.
“Foi um percurso difícil, mas as conclusões da investigação do juiz Denis, o apoio dos que me rodeiam e a possibilidade de me fazer ouvir, que poderia resultar do pedido de intervenção, levam-me a retomar calmamente o meu ministério”, mencionou Lacroix na declaração que emitiu esta segunda-feira, 24.
Em 2022, foi apresentada uma ação coletiva contra a Arquidiocese do Quebeque que incluía o testemunho de 101 pessoas que afirmaram ter sido abusadas sexualmente por dezenas de clérigos ou funcionários da Igreja desde 1940 até à atualidade. O escritório de advocacia canadiano Arsenault Dufresne Wee Avocats, que também intentou várias outras ações judiciais coletivas contra outras dioceses católicas e ordens religiosas, interpôs esta ação.
Nesse processo, o cardeal Marc Ouellet, antigo arcebispo do Quebeque, foi também acusado de agressão sexual. Em 2022, o Vaticano afirmou que uma investigação não revelou “quaisquer elementos para iniciar um processo” contra Ouellet.
“A comunidade sabe até que ponto a Igreja do Quebeque condena atos repreensíveis e conhece as medidas que tomamos para evitá-los”, concluiu Lacroix, pedindo a denúncia de qualquer tipo de abuso que prejudique “a integridade moral, espiritual e física de qualquer um”.









