
Catedral da Assunção, Kiev, Ucrânia. Foto: Direitos reservados
Neste sábado, 7 de janeiro, a pedido da Igreja Ortodoxa (autocéfala) da Ucrânia, será celebrada a Divina Liturgia por ocasião da Natividade de Cristo, celebrada pelo metropolita Epifânio, na Catedral da Assunção em Kiev, depois de o Estado ucraniano ter retomado o edifício.
Na última quinta-feira, 5 de Janeiro, o ministro da Cultura da Ucrânia declarou a retoma da Catedral da Assunção e da Igreja do Refeitório da Lavra de Kiev-Pechersk, que tem servido como sede da Igreja Ortodoxa Ucraniana sob jurisdição do Patriarcado de Moscovo.
O metropolita Pavlo, que deveria assinar o documento de transferência, não compareceu, no entanto, ao acto de “transferência”, o que não obstou à sua execução.
Os edifícios são património da Unesco e estão na propriedade do Estado há várias décadas, que os tem arrendado sob contrato. Uma comissão que incluiu representantes daquela Igreja e do Governo terminou os seus trabalhos de inventário e plano de transferência relativamente àqueles edifícios, continuando relativamente aos restantes.
Nos próximos dias, prosseguirão os trabalhos de remoção de bens não inventariados pelo Estado, nomeadamente relíquias e o que resta nas cavernas dos pisos inferiores. Iconóstases, candeeiros e outros elementos estruturais foram considerados irremovíveis.
Na Ucrânia estão identificadas 1189 estruturas culturais, das quais um número elevado foi destruído pelos invasores russos: diversos museus, teatros e escolas de arte estão entre as vítimas culturais da invasão. Alguns dos equipamentos foram previamente saqueados e os seus conteúdos removidos para localidades da Federação Russa.
De acordo com fontes ortodoxas ucranianas, as buscas efectuadas, nas últimas semanas, em alguns edifícios usados pela Igreja sob jurisdição do Patriarcado de Moscovo têm resultado na detenção de espiões russos, grandes quantias em dinheiro e vasta documentação e propaganda para distribuição contra o Estado Ucraniano, que evidenciam acções a favor da Rússia.
Aquela Igreja declarou recentemente a separação com Moscovo (https://news.church.ua/), mas continuou a invocar o respectivo Patriarca nos ofícios que celebrava. O clero dirigente da Igreja é em grande parte de nacionalidade estrangeira, tendo alterado a sua estrutura e promovido recentemente muitas acções junto das comunidades na diáspora e Igrejas católicas locais, como a portuguesa onde alguns dos seus responsáveis têm sido recebidos – por equívoco, na opinião dos líderes da Igreja autocéfala da Ucrânia.










