Três filmes históricos, uma exposição e um concerto estão entre as iniciativas das comemorações do Dia Europeu da Cultura Judaica, no Porto, que decorrem no próximo domingo, 7 de Setembro, entre as 10h00 e as 17h00. Um dos filmes, que passa às 11h00, conta a história de 1506 – O Genocídio de Lisboa. Mas, questionado sobre a actual situação em Gaza, o presidente da Comunidade Judaica do Porto (CJP) diz que não se pode falar de genocídio. E conta ao 7MARGENS que há vários episódios que considera traduzirem anti-judaísmo, nos últimos dois anos.
O programa previsto para domingo prevê a possibilidade de visitar a Sinagoga Kadoorie Mekor Haim (“Fonte de Vida”) – a maior do país, com dois mil metros quadrados, recorda a CJP – e o Museu do Holocausto, a Biblioteca judaica Rosh Pinah com 10 mil obras, além de restaurantes comunitários e uma garrafeira de vinho do Porto kosher.
Trata-se de “uma celebração de identidade colectiva que toca a alma nacional e evoca um legado judaico”, diz Gabriel Senderowicz, presidente da CJP, “presente desde a fundação do reino e nos grandes momentos da nossa história”.
Às 12, na sala principal da Sinagoga, apresenta-se o Coro Mekor Haim apresenta-se às 12h00, que irá interpretar canções em ladino, hebraico e iídiche, acompanhadas de explicações em português. Na galeria de pintura do templo religioso, uma exposição retrata a presença judaica no Porto ao longo dos séculos. As 2000 crianças judias exiladas será o primeiro filme a ser exibido (10h30). Seguem-se 1506 – O Genocídio de Lisboa, que será seguido de uma palestra de Paulo Mendes Pinto, historiador da Universidade Lusófona. Às 15h, passa A Luz de Judá (15h00), que será comentado por César Santos Silva. No Museu do Holocausto, haverá descendentes de sobreviventes e de vítimas, com quem será possível conversar.
“Não é um genocídio”

Crianças na fila para receber comida em Gaza: a CJP considera que há situações que se deveriam evitar, mas que o genocídio foi cometido pelo Hamas. Foto © UNRWA.
Questionado pelo 7MARGENS sobre o modo como encara a situação em Gaza, o presidente da CJP recusa que se trate de um genocídio: “Legalmente falando, o genocídio é a destruição intencional, ainda que em parte, de um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, com o massacre deliberado de membros de todas as idades.”
Foi isso mesmo que várias organizações judaicas de Israel (ou organismos das Nações Unidas e outras organizações internacionais) já consideraram, mas Gabriel Senderowicz considera que o genocídio aconteceu em Outubro de 2023, com o atentado terrorista do Hamas, bem como em Abril de 1506 em Lisboa (um massacre que terá causado perto de quatro mil vítimas) “e por séculos em todas as latitudes onde habitavam os judeus”.
Não é o caso do que se passa em Gaza, apesar da fome e da catástrofe humanitária reconhecida internacionalmente, diz o presidente da Comunidade do Porto, admitindo no entanto que há situações que deveriam ser evitadas: “A situação de guerra em Gaza, na qual Israel procura eliminar um grupo terrorista que ali a todos governa pela força das armas e que tem como fito primeiro abater o estado judaico vizinho, está recheada de tragédias humanas, e porventura muitas poderiam e deveriam ser evitadas, mas de todo não se enquadra na definição legal de genocídio.”
Gabriel Senderowicz diz ainda que desde Outubro de 2023 têm aumentado os casos de manifestações anti-judaicas: seja pelos grafites que apareceram na sinagoga do Porto (“foi marcante o silêncio por parte dos líderes políticos dos partidos com representação no Parlamento”, diz), seja pelo vandalismo que atingiu restaurantes e empresas judaicas com ligações a Israel, ou porque houve professores de escolas frequentadas por crianças judias que referiram Israel como um “Estado racista”; ou ainda por manifestações públicas onde foram exibidos cartazes a falar dos “assassinos sionistas” ou com a exposição de nomes de empresários, cujas casas foram também objecto de inscrições ofensivas. “Se isto tivesse ocorrido nos Estados Unidos ou na Alemanha, teria havido uma convulsão social”, conclui o presidente da Comunidade Judaica do Porto.










