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Reino Unido

Eleições locais mostram reconciliação da comunidade judaica com o Labor

| 05/05/2023

Foto: Jeremy Newmark dirige-se aos conselheiros trabalhistas vitoriosos em Hertsmere. © site Jewish News

 

O facto do Partido Trabalhista [Labor] ter, nas eleições locais de 4 de maio, duplicado o número de mandatos no concelho de Hertsmere, numa das zonas de Inglaterra mais densamente povoadas por judeus, foi tido por diversos analistas como expressão de um ponto de viragem na relação da comunidade judaica britânica com o Labor, após os escândalos surgidos na era Jeremy Corbyn.

Em declarações ao Jewish News, Jeremy Newmark, ex-chefe-executivo do Conselho de Liderança Judaica e candidato pelo Partido Trabalhista, disse: “Este é um enorme voto de confiança no sucesso de Keir Starmer [líder do Labor] em conseguir forjar um novo relacionamento entre os trabalhistas e a comunidade judaica”. Newmark reforçou esta afirmação referindo outros concelhos de forte presença judaica em que o Partido Trabalhista tinha também registado fortes avanços eleitorais.

Os resultados definitivos em Hertsmere mostram que os conservadores perderam a maioria que detinham, passando de 28 mandatos para 16, os trabalhistas subiram de 7 para 14 e os liberais-democratas de 6 para 9. Nas suas declarações ao Jewish News, Newmark reconheceu que está em condições de, com o apoio dos liberais-democratas, vir a liderar a Câmara: “Vamos trabalhar duro nos próximos dias para construir uma administração que reflita a pluralidade política desta área e estabelecer um novo acordo verde para Hertsmere.”

 

Acusações graves

Apesar da tradição trabalhista ser muito forte na comunidade judaica do Reino Unido, durante a liderança de Jeremy Corbyn (2015-2020), tanto o Labor como o seu líder foram objeto de crescentes acusações de antissemitismo que culminaram em outubro de 2020 com a suspensão da sua qualidade de militante do partido, então já chefiado por Keir Starmer. A suspensão foi decidia após Coryin ter classificado como “dramaticamente exagerado” um relatório da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos do Parlamento britânico altamente crítico do antissemitismo no Labor. O relatório denunciava os trabalhistas como responsáveis ​​por assédio e discriminação “ilegais” durante os quatro anos e meio da liderança de Corbyn. O então líder, Keir Starmer, reagiu prontamente, afirmando que aquele era um “dia de vergonha” para o Partido Trabalhista e asseverou que tudo faria para reverter aquelas práticas.

Muito antes deste relatório, uma sondagem realizada pela Survation no final do verão de 2018, para o jornal The Jewish Chronicle mostrava que mais de 85 por cento dos judeus britânicos acusavam Jeremy Corbyn de ser antissemita e em quase igual percentagem diziam existir níveis altos, ou muito altos, “de antissemitismo entre os membros do partido e entre os representantes eleitos. Um ano antes, a Survation tinha divulgado dados que apontavam para a existência de 69 por cento de judeus que acreditavam existirem níveis “altos” ou “muito altos” de antissemitismo no Partido Trabalhista.

Os 85 por cento de judeus britânicos que em 2018 consideravam antissemita o então líder do Labor confrontava o facto de que, na mesma data – de acordo com uma outra sondagem realizada não muito antes pela mesma empresa junto do público em geral –, “apenas” 39 por cento de todos os britânicos eram dessa opinião,.

A meio da tarde de dia 5 de maio The Guardian estimava que, com cerca de 177 das 230 câmaras apuradas, os conservadores tinham perdido 645 mandatos ganhos para o Labor (421), para os Liberais-democratas (269) e para os verdes (148). Em termos das câmaras detidas, os resultados ainda eram parcos, sinalizando uma quebra do Partido Conservador que perdera 39 maiorias absolutas e mantido 24 outras, tendo o Partido Trabalhista ganhado 17, perdido uma e mantido 40 e os Liberais-democratas ganho sete e mantido 15, sem perder nenhuma.

 

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