Vivemos em sociedades em que o envelhecimento é olhado muitas vezes como um problema económico, tanto para os estados como para as famílias, de abandono e da quebra de laços que têm como consequência a destruição de redes de solidariedade e de suporte que foram apoio durante a vida ativa. Na verdade, o envelhecimento daqueles e daquelas que nos precederam põe à prova a nossa humanidade enquanto sociedade e enquanto indivíduos.
O 7MARGENS iniciou a publicação de depoimentos de idosos recolhidos por José Pires, psicólogo e sócio fundador da Cooperativa de Solidariedade Social “Os Amigos de Sempre”. Publicamos hoje o sexto depoimento do total de vinte e cinco. Pode ler aqui os depoimentos já publicados. Informamos que tanto o nome das pessoas como as fotografias que os ilustram são da inteira responsabilidade do 7MARGENS.

“Eu neste momento estou com medo da velhice. Logo que deixe de ter as mesmas capacidades ninguém me quer.” Foto trabalhada a partir de Vladimir Soares / Unsplash
Etelvina, 73 anos
Envelhecer?
Tal coisa não me passa pela cabeça…Mas tem de ser…
É preciso um mínimo de saúde e força para ser autónoma. Envelhecer devagarinho e com alguma qualidade de vida.
Sem isso não vale a pena andar por aqui…Mas mesmo sem qualidade de vida quero cá andar…
Tenho dores reumáticas horríveis. Dores e mais dores…Quase sempre.
É triste envelhecer…E que ninguém queira os velhos. Os velhos, mal começam a borrar-se, todos os abandonam.
Eu neste momento estou com medo da velhice. Logo que deixe de ter as mesmas capacidades ninguém me quer.
A filha de uma amiga minha quer pôr a mãe num lar para transformar a casinha onde esta vive numa vivenda. Isto é de um grande egoísmo!
Eu se ninguém me quiser vou lutar por mim!
Às vezes até me dizem: “Os netos já não vos querem aturar porque vocês são uns chatos”.
Os netos, quando às vezes vêm connosco, afastam-se, metem-se no quarto com o telemóvel e o computador e ninguém os vê…
E isto quando fizemos o melhor que sabíamos e podíamos pelos filhos e netos.










