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Evangelizar dignificando o mundo do trabalho

| 03/12/2024

“A Pastoral Operária merece bem um sacerdote a tempo inteiro”
Padre Avelino Cardoso, antigo assistente nacional da JOC e da LOC

Padre Pedro Lima. Foto © Facebook Igreja dos Açores

 

Na última reunião da Conferência Episcopal realizada em novembro,24 foi homologada a nomeação do padre Pedro Lima como assistente nacional dos movimentos JOC, LOC/MTC e MAAC, que compõem a Pastoral Operária em Portugal.

O padre Pedro Lima é natural do Faial, Diocese de Angra, Açores. Nasceu a 1 de setembro de 1992 e foi ordenado padre no dia 3 de setembro de 2016. Tem nesta altura 32 anos.

Pároco na ilha Terceira, esteve quatro anos a estudar Teologia Dogmática em Roma e veio este ano estudar para Lisboa para se licenciar em Psicologia. O seu bispo, D. Armando Esteves, pede-lhe que neste período mantenha ligação com as suas paróquias, em especial nos tempos fortes (Páscoa, Natal, etc.)

O padre Pedro Lima, que estará bastante ocupado também com os estudos em Lisboa, gosta de trabalhar com leigos e fará todos os esforços para corresponder às solicitações dos Movimentos de que agora assume a assistência nacional: Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC), criado em Portugal em 1936, da Juventude Operária Católica (JOC), em território nacional desde 1935, e do Movimento de Apostolado de Adolescentes e Crianças (MAAC), que existe em Portugal desde 1982.

Em Portugal os Movimentos JOC e LOC/MTC, ambos a atingir a idade dos 90 anos de existência, iniciaram organizados como movimentos masculinos e femininos que vieram a unificar-se por alturas do 25 de Abril; em 1998, a LOC aprovou a extensão do nome para LOC/MTC, Movimento de Trabalhadores Cristãos.

 

O assistente e o seu papel

No início citei o padre Avelino Cardoso, que testemunhava: “A maior parte da minha vida foi de entrega aos Movimentos Operários da Ação Católica, em particular a LOC/MTC e a Pastoral Operária. Resisti a muitos convites para outras coisas, para estar neste serviço. Sempre me senti feliz neste trabalho. O mundo operário ‘valia’ bem um sacerdote a tempo inteiro”.

Recorremos também aos escritos de um outro padre com uma longa história de assistência aos movimentos, o padre Horácio Noronha, também originário dos Açores e ligado à diocese de Setúbal durante muitos anos.

Diz-nos: “Em primeiro lugar, convém referir que ninguém nasce assistente, tal como ninguém nasce militante. O assistente vai-se fazendo ao longo do exercício deste seu ministério. A sua maneira de intervir depende muito da sua sensibilidade para escutar, acompanhar, confiar nos leigos, ajudar a discernir.

O assistente não é um dirigente, deve participar nas reflexões, ajudar a discernir, mas, no momento de decidir, deve ficar calado.

É um homem de escuta, convicto de que o Espírito de Deus está dentro das pessoas e só deve falar depois de escutar. Deve estar perto das pessoas da base e passar pelo que elas passam. Deve confiar nos leigos, consciente de que eles também têm o direito de errar, mas isso não lhe dá o direito de os infantilizar. Seja alegre e com sentido de humor.

Uma sondagem do MMTC (Movimento Mundial dos Trabalhadores Cristãos) sobre o perfil do assistente desejado pelos leigos diz o seguinte: ‘Dê a sua opinião sem a impor; não participe muito diretamente nas decisões; não fale demasiado; não seja demasiado liturgista e seja muito realista; não dê receitas sobre o que não vive; não se comporte como se fosse o único responsável da dimensão cristã do Movimento; não substitua os responsáveis (salvo em casos extremos)’.”

 

Escutar e comprometer 

Padre Pedro Lima

“Tudo isto se exercita de modo especial na Revisão de Vida, onde se faz muito bem a síntese harmoniosa entre a Vida e a Fé. Mas o papel do assistente não se esgota nos tempos de reunião. Ele estará sempre disponível e atento para ouvir, acompanhar, estimular, dar uma palavra de coragem e de esperança. Dará uma atenção especial aos tempos de oração, embora não tenha de ser o único a preparar os tempos de oração e reflexão de carácter espiritual. Deve ainda estar atento à vida social e política do País, em especial no que se refere à vida e às lutas dos trabalhadores. Deve ser um ‘especialista’ em assuntos de Bíblia e Doutrina Social da Igreja.

Ainda antes de ser assistente de um grupo de base, o padre pode dar um contributo importante para a fundação de novos grupos, sinalizando pessoas, estimulando, apoiando, fazendo ligação com os responsáveis do Movimento.

Além dos padres, também os diáconos, as religiosas e os leigos podem assumir esta missão de assistentes no movimento, o que exige uma formação específica e continuada, tal como acontece com os assistentes/padres.

Em conclusão, ser assistente de um grupo de base da LOC/MTC é um serviço que se presta, mas é também um lugar de aprendizagem e de exercício de uma dimensão essencial da nossa missão de servidores do Povo de Deus”.

 

Trabalhadores para a seara

Nem todos, aos diversos níveis, entendem a importância de alguém com disponibilidade para este papel de assistente, junto dos leigos do mundo do trabalho. “Um jovem trabalhador vale mais que todo o ouro do mundo” dizia Joseph Cardijn fundador da JOC e inspirador da LOC/MTC e do MAAC.

O padre Pedro Lima, apesar das suas limitações de tempo, já esteve reunido com os órgãos nacionais da JOC, da LOC/MTC e do MAAC. Gosta de trabalhar com leigos, o que é um bom princípio.

“Este é um trabalho que acontece com leigos porque o movimento é de militância, é um movimento de Ação Católica onde os leigos têm um papel chave na luta pela humanização e dignificação do trabalho, tendo sempre presente os princípios da Doutrina Social da Igreja e da justiça social”, disse numa primeira entrevista ao portal online Igreja Açores.

O padre Pedro gosta também de dizer que caminha com o Prado. O Prado é uma associação dada à Igreja por António Chevrier, onde cada um procura fortalecer o seu compromisso e o sentido da fraternidade sacerdotal com a ajuda do estudo do Evangelho.

Evangelizar dignificando o mundo do trabalho é hoje um desafio importante e desafiante. Evangelizar anunciando com alegria, anunciar a justiça, a dignidade a solidariedade, anunciar pelo testemunho.

 

Américo Monteiro é coordenador nacional da LOC/MTC (Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos).

 

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