
Membros do Conselho da Federação Luterana Mundial em debate durante a assembleia do mês passado, em que ficou decidido criar um novo grupo de estudo sobre a paz. Foto © LWF/Albin Hillert
A Federação Luterana Mundial (LWF, na sigla em inglês) acaba de criar o Grupo de Estudo sobre Paz e Reconciliação em Contextos de Conflito e Guerra. O novo organismo tem como missão produzir um documento com “uma atualização teológica e análise interdisciplinar” do que pode ser o trabalho das Igrejas Luteranas na construção da paz.
Os últimos documentos do género na Igreja Lusitana datam de 1984 e 1990 e, face ao contexto atual, os representantes da LWF – reunidos no passado mês de junho na sua 13ª assembleia, perto de Genebra (Suíça) – sentiram ser necessário recordar que “as ações pela paz devem ser acompanhadas por uma reflexão teológica que aborde criticamente questões contemporâneas e complexas em torno de conflitos e guerras”.
“O pano de fundo do trabalho do grupo de estudo é a realidade devastadora da guerra para crianças, mulheres, homens e comunidades inteiras em muitos lugares ao redor do mundo: perda de vidas; sofrimento físico e mental; cidades, vilas e aldeias inabitáveis; danos ambientais; e uso de violência sexual como arma de guerra”, pode ler-se no comunicado da LWF, que representa mais de 75 milhões de pessoas em 99 países.
Entre os tópicos em análise pelo novo grupo estarão a teoria da guerra justa, o conceito de autodefesa e a relação entre paz e justiça. “A política de dissuasão nuclear, a corrida armamentista, a emergência climática, a ascensão do autoritarismo e os avanços tecnológicos como a inteligência artificial e o armamento autónomo” estarão também na base das reflexões, além das “violações graves de leis humanitárias e de direitos humanos internacionais”, adianta o comunicado.
Composto por homens e mulheres, leigos, ministros ordenados e teólogos especializados em diversas áreas, e incluindo elementos que fizeram missão em regiões de conflito ou contextos afetados pela guerra, o grupo pretende contribuir para apoiar a resposta humanitária da LWF e a sua ação na defesa dos direitos humanos.
“A nossa fé chama-nos a ser mensageiros de justiça, paz e reconciliação, estando ao lado daqueles que são mais vulneráveis”: esta foi uma das conclusões da assembleia reunida no mês passado e que resume o espírito que presidirá ao novo grupo da LWF, bem como do documento a desenvolver, que não tem ainda data de apresentação prevista.









