O Papa evocou este domingo, no Vaticano, o “grito” dos povos que pedem a paz, falando perante cerca de 30 mil participantes no Jubileu das Forças Armadas, vindos de cerca de 100 países, numa celebração em que interrompeu a leitura da homilia, ao fim de três parágrafos. “E agora peço desculpa e peço ao mestre [das celebrações litúrgicas] que continue a leitura, devido a dificuldades em respirar”, disse.
No final da missa a que presidiu na Praça de São Pedro, deixou uma oração pela paz no mundo. “Irmãos e irmãs, rezemos pela paz: na martirizada Ucrânia, na Palestina, em Israel, em Myanmar, em todo o Médio Oriente, em Kivu [RD Congo], no Sudão. Que as armas sejam silenciadas em todo o mundo e que o grito dos povos pela paz seja ouvido”, disse,
Francisco acolhe todos os presentes na peregrinação jubilar das Forças Armadas, da Polícia e das Forças de Segurança, deixando uma saudação a “todos os militares do mundo”.
“Aqueles que exercem a sua profissão nas fileiras do exército, ao serviço da pátria, devem considerar-se também servidores da segurança e da liberdade dos seus povos. Este serviço armado deve ser exercido apenas para fins de legítima defesa, nunca para impor o domínio sobre outras nações, observando sempre as convenções internacionais sobre conflitos e, antes de tudo, com sagrado respeito pela vida e a criação”, indicou.
Na conclusão do segundo grande encontro do Ano Santo, no Vaticano, o Papa começou por pronunciar a sua homilia, centrada em três verbos – “viu, subiu, sentou-se” – a partir da atitude de Jesus no lago de Genesaré. “Jesus coloca sempre em primeiro lugar o encontro com os outros, a relação, a preocupação com cansaços e fracassos que, muitas vezes, pesam no coração e tiram a esperança”, observou.
Francisco sublinhou o “olhar atento” de Cristo, um olhar “cheio de compaixão”. “Não o esqueçamos: Deus é próximo, Deus é terno, Deus é compassivo, sempre”, assinalou.
Foi então que Papa assumiu as “dificuldades em respirar”, provocadas por uma bronquite, que o obrigou a alterar a sua agenda, nos últimos dias, e pediu “desculpas”, antes de passar ao mestre das celebrações litúrgicas pontifícias, Diego Ravelli, a responsabilidade de ler a intervenção preparada. Também no Jubileu dos Jornalistas tinha acontecido um episódio idêntico com Francisco a deixar o discurso de lado.
A reflexão lida este domingo dirigiu-se às autoridades, associações, responsáveis católicos e membros das Forças Armadas e de Segurança, destacando a sua “grande missão”, que abrange várias “dimensões da vida social e política”.
“A defesa dos nossos países, o empenho na segurança, a tutela da legalidade e da justiça, a presença nas prisões, a luta contra a criminalidade e as várias formas de violência que ameaçam perturbar a paz social. Recordo também aqueles que oferecem o seu importante serviço nas catástrofes naturais, para a proteção da criação, para salvar vidas no mar, para os mais frágeis, para a promoção da paz”, destacou a homilia.
Imagem do destaque: Papa com dificuldades em respirar pediu ao mestre das celebrações litúrgicas para terminar leitura da homilia. Foto © Vatican Media via Agência Ecclesia.
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