Reunidos em vídeoconferência

Francisco rejeita “guerra santa” e pede apoio de Cirilo

| 16 Mar 2022

Papa Francisco em videoconferência com patriarca cirilo a 16 março 2022 foto facebook de antonio spadaro sj

“Somos pastores do mesmo povo santo (…): por isso devemos unir-nos no esforço de ajudar a paz, de ajudar os que sofrem, de buscar caminhos de paz, para deter o fogo”, afirmou Francisco durante a videoconferência. Foto © Vatican media.

 

O Papa Francisco e o Patriarca Cirilo, da Igreja Ortodoxa Russa, estiveram reunidos pela primeira vez desde o início da guerra na Ucrânia. No encontro, que decorreu ao início da tarde desta quarta-feira, 16 de março, por videoconferência, o responsável da Igreja Católica rejeitou qualquer justificação para a agressão militar por parte da Rússia, afirmando que não se pode falar de “guerra santa” ou guerra justa. “As guerras são sempre injustas. Porque quem paga é o povo de Deus”, sublinhou.

“A Igreja não deve usar a linguagem da política, mas a linguagem de Jesus”, afirmou ainda o Papa Francisco, citado pelo Vatican News. “Somos pastores do mesmo povo santo que crê em Deus, na Santíssima Trindade, na Santa Mãe de Deus: por isso devemos unir-nos no esforço de ajudar a paz, de ajudar os que sofrem, de buscar caminhos de paz, para deter o fogo”.

O Papa referiu ainda a doutrina da “guerra justa”, que a Igreja Católica já defendeu, para afirmar que também esse conceito deve ser ultrapassado: “No passado, também se falava, nas nossas Igrejas, de guerra santa ou de guerra justa. Hoje não se pode falar assim. Desenvolveu-se a consciência cristã da importância da paz.” E acrescentou: “Os nossos corações não podem deixar de chorar perante as crianças, as mulheres mortas, todas as vítimas desta guerra. A guerra nunca é o caminho. O Espírito que nos une pede-nos como pastores que ajudemos os povos que sofrem com a guerra.”

Recorde-se que, no passado dia 10, como o 7MARGENS noticiou, o patriarca russo recusou mediar as negociações para um cessar-fogo na guerra da Ucrânia, em resposta a uma carta do secretário-geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) em que se mostrava alinhado com a estratégia do Presidente Vladimir Putin e responsabilizava os países da NATO pela eclosão do conflito.

O jornal italiano Avvenire refere que, de acordo com uma declaração do Patriarcado russo sobre o mesmo encontro, durante a conversa foi dada especial atenção aos aspetos humanitários da crise atual e às ações da Igreja Ortodoxa Russa e da Igreja Católica para superar as suas consequências. Ambas as partes “enfatizaram a excecional importância do processo de negociação em curso, expressando a sua esperança na rápida conquista de uma paz justa”, avança a notícia. E “algumas questões atuais da cooperação bilateral também foram discutidas”.

Embora Cirilo tenha expressado o seu desejo de que o conflito termine, em nenhuma declaração terá denunciado Putin ou as ações militares da Rússia contra a Ucrânia, pode ler-se no National Catholic Reporter. A mesma publicação dá conta de que, após o encontro, o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, celebrou uma missa pela paz na Basílica de São Pedro, com a participação do corpo diplomático do Vaticano.

Na presença do embaixador da Rússia no Vaticano, Aleksandr Avdeyev, e do embaixador da Ucrânia, Andrii Yurash, Parolin repetiu as palavras do Papa Francisco na sua homilia de 6 de março: “Esta não é apenas uma operação militar, mas uma guerra”, rejeitando assim, mais uma vez e de forma explícita, as referências do governo russo relativamente às atividades na Ucrânia como sendo uma “operação militar especial”.

 

Mais do que A Voz da Fátima

Pré-publicação

Mais do que A Voz da Fátima novidade

Que fosse pedido a um incréu um texto de prefácio para um livro sobre A Voz da Fátima, criou-me alguma perplexidade e, ao mesmo tempo, uma vontade imediata de aceitar. Ainda bem, porque o livro tem imenso mérito do ponto de vista histórico, com o conjunto de estudos que contém sobre o jornal centenário, mas também sobre o impacto na sociedade portuguesa e na Igreja, das aparições e da constituição de Fátima e do seu Santuário como o centro religioso mais importante de Portugal. Dizer isto basta para se perceber que não é possível entender, no sentido weberiano, Portugal sem Fátima e, consequentemente, sem o seu jornal.

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Breves

 

Bahrein

Descoberto mosteiro cristão sob as ruínas de uma mesquita novidade

Há quem diga que este é o “primeiro fruto milagroso” da viagem apostólica que o Papa Francisco fez ao Bahrein, no início de novembro. Na verdade, resulta de três anos de trabalho de uma equipa de arqueólogos locais e britânicos, que acaba de descobrir, sob as ruínas de uma antiga mesquita, partes de um ainda mais antigo mosteiro cristão.

Manhã desta quinta-feira, 24

“As piores formas de trabalho infantil” em conferência

Uma conferência sobre “As piores formas de trabalho infantil” decorre na manhã desta quinta-feira, 24 de Novembro (entre as 9h30-13h), no auditório da Polícia Judiciária (Rua Gomes Freire 174, na zona das Picoas, em Lisboa), podendo assistir-se também por videoconferência. Iniciativa da Confederação Nacional de Ação Sobre o Trabalho Infantil (CNASTI), em parceria com o Instituto de Apoio à Criança (IAC), a conferência pretende “ter uma noção do que acontece não só em Portugal, mas também no mundo acerca deste tipo de exploração de crianças”.

Cardeal Zen condenado a pagar multa por ter defendido manifestantes

Hong Kong

Cardeal Zen condenado a pagar multa por ter defendido manifestantes novidade

O cardeal Joseph Zen, bispo emérito de Hong Kong, foi condenado esta sexta-feira, 25 de novembro, a pagar uma multa de cerca de 500 euros pela sua colaboração com o 612 Humanitarian Relief Fund, que apoiou manifestantes pró-democracia a pagar multas e fianças em 2019. Sobre ele, recai ainda a acusação de conluio com forças estrangeiras, pelo que poderá vir a enfrentar penas mais graves.

Freiras italianas gritam “basta!” à violência contra a mulher

Dia Internacional contra a Violência de Género

Freiras italianas gritam “basta!” à violência contra a mulher novidade

“Sentimos o dever de manifestar abertamente a solidariedade com as mulheres que sofrem todo o tipo de violência.” Quem o diz são as irmãs salesianas Filhas de Maria Auxiliadora, da Província de São João Bosco, em Roma, que pela primeira vez decidiram associar-se pessoalmente a uma campanha de prevenção, a propósito do Dia Internacional Contra a Violência de Género, assinalado esta sexta-feira, 25 de novembro.

Agenda

Fale connosco

Autores

 

Pin It on Pinterest

Share This