A Igreja Católica no Brasil abriu, oficialmente, a fase de implementação do Sínodo sobre a Sinodalidade, na última segunda-feira, 25 de agosto, com um encontro online organizado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), através da sua Equipa de Animação Nacional do Sínodo, que envolveu as equipas das cerca de 280 dioceses e outros interessados.
Entretanto, já está a decorrer desde junho, ao nível das igrejas locais, o processo de estudo e de implementação do Documento Final do Sínodo, o que deverá prolongar-se por cerca de ano e meio, estendendo-se até ao final de 2026. O encontro virtual apresentou o documento “Pistas para a fase de implementação”, preparado pela Secretaria Geral do Sínodo no Vaticano e que guiará o caminho a percorrer.
Isto significa que a Igreja brasileira colocou já em andamento uma dinâmica que envolve as lideranças das dioceses, das comunidades, das paróquias, das pastorais setoriais e dos movimentos, como assinalou, na abertura do encontro virtual o bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, Ricardo Hoepers.
Este responsável observou que o Sínodo não só não terminou como entra agora numa “etapa decisiva”, em que as paróquias, comunidades e movimentos “são chamados a implementar de modo concreto as práticas e as estruturas sinodais, renovando assim a nossa cultura e as nossas relações eclesiais como nos pede o documento final do Sínodo”.
O encontro agora realizado teve por referência, além da Síntese Nacional que resultou da consulta da primeira fase do processo sinodal, em 2022, participada por 261 (ou seja 93 por cento) das dioceses brasileiras, o Documento Final do Sínodo, já mencionado, e, necessariamente, as “Pistas para a fase de implementação”, que o secretariado geral romano divulgou em julho último e que foi apresentado em pormenor aos participantes.
A religiosa Teresinha Mendonça Del’Aqua, da congregação franciscana Maria Imaculada, que representa os religiosos na Equipa Nacional, apresentou o capítulo das Pistas para a Implementação, no que diz respeito às relações entre as pessoas, as comunidades e como povo de Deus e a “conversão” que elas supõem. Por sua vez, Sônia Gomes Oliveira, cristã leiga que participou nas assembleias sinodais, apresentou o trecho do Documento Final que trata da fase de implementação, destacando que ele é “o ponto de referência que todas as equipas têm que se esforçar por estudar”.
Numa intervenção que ali fez o padre Jânison de Sá Santos, subsecretário adjunto de Pastoral da CNBB, ele sublinhou, acerca dos modos de proceder, que “o método sinodal não se reduz a uma série de técnicas de gestão dos encontros, mas é uma experiência espiritual e eclesial que implica crescer num novo modo de ser Igreja, enraizado na fé de que o Espírito concede os seus dons a todos os batizados”.
Um dos delegados da CNBB na Assembleia do Sínodo em Roma, o bispo de Petrópolis, Joel Portella Amado, explicou, em resposta a um participante, que, para caminhar na sinodalidade, não se deve pretender partir do zero nem esquecer o que já se caminhou até agora naquela direção, através da escuta e diálogo e da prática da participação. “O que já existe e já se está fazendo deve ser o nosso ponto de partida”, observou. Por outro lado, importa discernir quais são os “pequenos passos” que é possível concretizar, garantindo que se acompanha e se avalia esses passos e que, no processo, se procura envolver mais pessoas.
No encerramento, bispo de Camaçari, no Estado da Baía, e membro da Equipa de Animação do Sínodo, Dirceu Medeiros, deixou algumas provocações e desafios: que pontos do Documento Final se revelam desafiadores e têm implicações para a vida da Igreja? Como fortalecer e tornar mais visíveis os sinais de sinodalidade já presentes em cada realidade eclesial? Que caminhos percorrer para superar resistências, tais como o clericalismo e outras realidades?
Refira-se que o secretário-geral da CNBB anunciou, durante os trabalhos, que as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, a serem aprovadas no próximo ano, serão fruto do processo sinodal e uma chave para sua implementação nas dioceses, paróquias e comunidades.










