“José Mattoso – Fazer a História, Repensar o Arquivo” é o título da exposição que foi inaugurada no dia 22 de abril, na Torre do Tombo, em Lisboa, organizada pelo Instituto de Estudos Medievais da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova (NOVA FCSH), em parceria com mais de uma dezena de outras instituições, entre centros universitários, municípios e outras entidades culturais.
Esta exposição surge na sequência de uma outra, “A Espantosa Realidade da História”, que esteve patente na Biblioteca Nacional entre 10 de julho e 12 de outubro de 2024. Se aquela era fundamentalmente bibliográfica, expondo algumas das suas obras, esta evoca “o professor José Mattoso e o seu contributo verdadeiramente seminal, tanto no modo de entender e fazer a História como na valorização e promoção dos arquivos e do património documental a eles associado. A iniciativa procura articular estas duas dimensões fundamentais da sua vida: a do historiador e a de definidor de novas políticas e práticas de gestão e conservação documentais”, disse ao 7MARGENS João Luís Fontes, membro da equipa organizadora da exposição e professor auxiliar em História Medieval da NOVA FCSH.
Até 17 de junho, o visitante poderá encontrar na Torre do Tombo, numa primeira parte, um conjunto de diferentes testemunhos, tanto documentais como iconográficos, identificadores de uma outra forma de fazer história e de compreender o passado do reino medieval português introduzida por José Mattoso [1933-2023].
“Das leis de Afonso II (1211) às primeiras inquirições régias, dos textos memorialísticos e cronísticos, ao belo Livro das Aves oriundo do mosteiro do Lorvão, das imagens do túmulo de Egas Moniz e do mosteiro românico de Paço de Sousa à edição crítica dos Livros de Linhagens ou da História de Portugal de Herculano, aí se respira uma memória do passado que José Mattoso soube com mestria interpretar, propondo uma narrativa que ele próprio foi revendo conforme a investigação foi avançando e novas hipóteses puderam ser colocadas”, explica João Luís Fontes. Daí a presença de documentos do seu espólio pessoal – cadernos onde regista visitas aos mosteiros que estudou ou os documentos recenseados em diversos arquivos, a correspondência trocada com outros medievalistas e figuras do mundo da cultura, ou os seus livros que anotava para uma nova edição.
Numa segunda parte, descortina-se o seu papel no mundo dos arquivos, dado os cargos que assumiu como diretor da Torre do Tombo e fundador e primeiro presidente do Instituto Português de Arquivos. Cargos em que “soube valorizar o papel social dos arquivos e contribuiu decisivamente para a definição de novas políticas e práticas na gestão, conservação e valorização dos seus acervos”, recorda Fontes. Por esta razão podem ser vistos nesta segunda parte da exposição alguns dos testemunhos fundamentais da sua ação neste âmbito, desde alguns documentos legais até correspondência enviada para os arquivos, inventários e exposições documentais.
A iniciativa é, sobretudo, conclui Fontes, uma forma de relembrar “a importância incontornável de José Mattoso enquanto intelectual, historiador e homem de cultura comprometido com o seu tempo”.










