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Tal Mitnick, jovem objetor de consciencia. Foto War Resisters' International

Tal Mitnick

Jovem israelita objetor de consciência é preso pela segunda vez e insiste: “Não há solução militar para o conflito”

| 23/01/2024

Tal Mitnick, jovem objetor de consciencia. Foto War Resisters' International

Espero que cada vez mais jovens da minha idade percebam que não é normal viver com medo constante de ataques terroristas, nem alistar jovens de 18 anos no exército”, afirma Tal Mitnick. Foto © War Resisters’ International

 

Passou 30 dias numa prisão militar israelita por ter recusado juntar-se ao exército e combater contra os palestinianos, foi libertado na quinta-feira passada, e esta terça-feira, 23, voltou a ser preso… por manter a sua recusa. Para Tal Mitnick – primeiro objetor de consciência a ser detido desde 7 de outubro -, o mês que passou na prisão só veio reforçar, ainda mais, aquilo que já antes pensava: “acredito que não há solução militar para este conflito. Eu sou um pacifista”, disse em entrevista ao Guardian, pouco antes de regressar à prisão por mais 30 dias.

O jovem de apenas 18 anos não tem dúvidas: “Israel já perdeu esta guerra. Mais mortes e mais violência não trarão de volta as vidas perdidas em 7 de outubro. Eu sei que as pessoas estão feridas. Traumatizadas. Mas isso não melhora nada. Para erradicar as ideias extremistas da sociedade palestiniana, devemos erradicá-las em Israel”, defende.

Sobre a sua experiência na prisão, Mitnick conta que o acesso aos média era muito limitado. “A única fonte regular de notícias é o jornal diário de direita Israel HaYom”, assinala, explicando que “os média estão a tentar fabricar cada vez mais [a ideia de] consentimento para matar e massacrar”.

Consciente de que poucos detidos, se é que algum, partilhavam a sua posição política, Mitnick estava relutante em contar porque tinha sido preso. Mas acabou por partilhar. “Inicialmente, fui chamado de estúpido e ingénuo. Pior também…”, recorda. Mas tentou que compreendessem a sua posição. “Humanizar a minha opinião é importante. Um recluso que conheci ouviu outros prisioneiros a falar de mim pelas minhas costas e depois defendeu-me. Ele disse-lhes que não apoio o Hamas, só quero paz.”

Na verdade, Mitnick sabe que, não só os companheiros de prisão, mas a maioria dos israelitas, incluindo os da sua geração, não concorda consigo. “Os jovens aqui são mais direitistas do que os seus pais ”, diz ele. Ainda assim, garante que continua “esperançoso”. “Não temos o privilégio de perder a esperança aqui. Espero que cada vez mais jovens da minha idade percebam que não é normal viver com medo constante de ataques terroristas, nem alistar jovens de 18 anos no exército. Nada aqui é normal e temos o poder de mudar isso”, conclui.

 

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