
Reunidos no Camboja, os líderes da ASEAN reconheceram que “a segurança em Myanmar está a ser destruída pela violência entre o Governo militar e as fações que se lhe opõem”. Foto © Office of Cambodian PM.
Nove chefes de Governo de nações do sudeste asiático, reunidos em Phnom Penh (Camboja) na cimeira da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) emitiram esta sexta-feira, 11 de novembro, um “aviso” a Myanmar para que dê passos decisivos na concretização do plano de paz decidido no ano passado ou, de contrário, arrisca-se a ser impedido de participar nas reuniões da Associação.
Os líderes da ASEAN reconheceram, segundo informa a Reuters, que “a segurança em Myanmar está a ser destruída pela violência entre o Governo militar e as fações que se lhe opõem” e que os militares daquele país não estão a concretizar “nenhum dos cinco pontos acordados no ano passado”, pelo que continuam impedidos de participar nas reuniões da associação. Os líderes da ASEAN condenaram ainda “as ações cada vez mais violentas da junta, como as execuções de ativistas da democracia e um ataque aéreo que matou pelo menos 50 pessoas”.
“A situação em Myanmar não cessa de piorar”, disse, durante a cimeira e de acordo com o Vatican News, o presidente indonésio Joko Widodo. Quer em Rangum (capital) quer noutras cidades, têm sido frequentes os tiroteios e ataques à bomba, enquanto em alguns pontos do país os helicópteros afetos aos militares no poder continuam a bombardear aldeias desprotegidas.
Uma junta militar governa o país desde que o exército derrubou, em fevereiro do ano passado, o Governo saído de eleições livres e afeto à Prémio Nobel Aung San Suu Ky [ver 7MARGENS]. A repressão ditatorial imposta pela junta tem sido brutal, eliminando opositores e anulando quaisquer movimentos de resistência.
Na cimeira da ASEAN, em que Myanmar não se fez representar e que decorre até este sábado, 12 de novembro, Timor-Leste foi admitido como o 11º país membro da associação.
Já na audiência geral de quarta-feira, 9 de novembro, o Papa Francisco havia lembrado a situação naquele país, dizendo: “Pensemos em Myanmar: O que faz a guerra? Destrói! Destrói a humanidade, destrói tudo. Os conflitos não devem ser resolvidos pela guerra, mas sim e apenas pelo poder suave do diálogo”.









