A partir dos diferentes sentidos da palavra “coração” nos Evangelhos, Frederico Lourenço propôs um itinerário espiritual aos participantes na Assembleia Diocesana do Clero de Coimbra, reunida na passada sexta-feira, na Lousã. Na sua leitura do episódio em que Maria “conservava todas estas coisas, ponderando-as em seu coração” (cf. Lc 2,19), o professor catedrático e tradutor da Bíblia destacou a profundidade teológica de uma expressão que considerou de “simplicidade desarmante” e concluiu que “Maria une, reúne e junta; o Diabo divide, calunia e acusa”.
Foi a análise dos verbos utilizados no texto grego que o levou a estabelecer um contraste entre a ação atribuída ao Diabo e a atitude de Maria. “O Diabo divide e faz imperar a calúnia”, afirmou, lembrando que o verbo grego diabállo reúne precisamente os sentidos de dividir e caluniar. Em contraponto, Maria surge associada ao verbo symbállo, que significa unir, reunir ou juntar.
A reflexão conduziu depois ao coração de Jesus, descrito no Evangelho de Mateus como “manso e humilde” (Mt 11,29). Frederico Lourenço chamou a atenção para a raridade destes adjetivos no Novo Testamento e falou da “tranquilidade de sabermos que temos no coração de Nosso Senhor uma morada de paz e de felicidade”. Ao mesmo tempo, acrescentou, essa certeza “interpela e obriga à Imitatio Christi [imitação de Cristo] plena”.
A conferência integrou o programa da Assembleia Diocesana do Clero de Coimbra, que reuniu padres e diáconos da diocese na Lousã. O encontro incluiu a celebração da eucaristia na Igreja Matriz local, presidida pelo bispo de Coimbra, Virgílio Antunes.
Na homilia, o também presidente da Conferência Episcopal Portuguesa apelou à humildade e à mansidão no exercício do ministério ordenado, em sintonia com a espiritualidade da solenidade do Sagrado Coração de Jesus, e sublinhou a importância da formação e do estudo permanentes para os membros do clero.
Durante a celebração, foram recordados os padres e diáconos doentes ou incapacitados e homenageados aqueles que assinalam este ano 25 ou 50 anos de ordenação.










