
Homens caminham pelas ruas destruídas de Gaza. “Há mais de dois meses que Israel priva a população de Gaza de alimentos e de água”, denuncia a Human Rights Watch. Foto © WHO
O governo israelita está a utilizar a fome de civis como método de guerra na faixa de Gaza ocupada, o que é um crime de guerra, afirmou a Human Rights Watch em comunicado divulgado no dia 18 de dezembro. De acordo com aquela organização, “as forças israelitas estão a bloquear de forma deliberada o fornecimento de água, alimentos e combustível, enquanto arrasam áreas agrícolas e privam a população civil de bens indispensáveis à sua sobrevivência”.
Desde que a 7 de outubro os terroristas do Hamas atacaram e mataram mais de 1400 pessoas indefesas em Israel e fizeram 260 reféns “altos funcionários israelitas, incluindo o ministro da Defesa Yoav Gallant, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, e o ministro da Energia, Israel Katz” têm feito declarações públicas “expressando o seu objetivo de privar os civis em Gaza de alimentos, água e combustível”, lê-se no sítio da Human Rights Watch.
A organização recorda que “o Direito Internacional Humanitário proíbe a fome de civis como método de guerra. O Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional estabelece que matar intencionalmente civis de fome, ‘privando-os de bens indispensáveis à sua sobrevivência, incluindo impedir deliberadamente o fornecimento de ajuda humanitária’ é um crime de guerra”.
“Há mais de dois meses que Israel priva a população de Gaza de alimentos e de água, uma política estimulada, ou endossada, pelos responsáveis israelitas que reflete a intenção de matar de fome civis como método de guerra”, disse Omar Shakir, diretor da Human Rights Watch para Israel e a Palestina, que deixou um apelo: “Os líderes mundiais deveriam manifestar-se contra este crime de guerra abominável, que tem efeitos devastadores sobre a população de Gaza.”
O bloqueio contínuo de Israel a Gaza, bem como o controlo das suas fronteiras durante mais de 16 anos, “equivale a uma punição coletiva da população civil, um crime de guerra”, além de que, “como potência ocupante de Gaza, Israel tem, ao abrigo da Quarta Convenção de Genebra, o dever de garantir que a população civil obtém alimentos e medicamentos” – afirma a Human Rights Watch.









