
Bispos e padres selecionaram os catequistas que irão participar num curso especial gratuitamente, na ilha de Mindanao, Filipinas. Foto © ACN
É um projeto inovador em Mindanao, a segunda maior ilha das Filipinas, que tem sido palco de fortes tensões inter-religiosas: um curso destinado a catequistas e outros líderes católicos leigos, que visa prepará-los para “melhor difundir e fortalecer a fé das comunidades católicas”, ao mesmo tempo que “capacita para o diálogo inter-religioso com a população muçulmana da ilha”. A formação, organizada pelo Movimento Silsilah e apoiada pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), vai arrancar no próximo mês de junho.
A iniciativa ganha ainda mais relevância tendo em conta que, depois do ataque jihadista que aconteceu durante uma missa no passado mês de dezembro – em que quatro fiéis morreram e mais de 40 ficaram feridos – o medo cresceu entre a comunidade católica e as tensões agravaram-se.
“Atualmente, há muita confusão e desânimo na Igreja. Muitos tornam-se muçulmanos, aderem a outras denominações cristãs ou abandonam completamente a fé. Planeamos fazer um curso muito abrangente e intensivo que ajudará os participantes a estarem bem preparados para serem líderes, catequistas ou professores de religião”, assinala o padre Sebastiano D’Ambra, fundador do Movimento Silsilah, em declarações à Fundação AIS.
“Pedimos aos bispos e padres que selecionassem os catequistas que irão participar do nosso curso especial gratuitamente. O objetivo, depois, é replicá-lo nas suas áreas. Isto desafia-nos a apresentar este curso de forma criativa e a fornecer material útil aos participantes”, explica o missionário italiano.
Esta é também uma forma de assinalar os 40 anos do Movimento Silsilah, que significa “cadeia interligada” em árabe, e nasceu com o objetivo de promover a compreensão e a paz através do diálogo inter-religioso e formar líderes comunitários nesses valores. Uma missão que continua atual.
As Filipinas são um dos dois únicos países da Ásia com maioria cristã, juntamente com Timor Leste. Mas Mindanao, embora seja maioritariamente católica, tem uma grande comunidade islâmica.









