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autores - Sérgio Carvalho

O turismo pode trazer a paz ou talvez não…

| 04/10/2024

Audiência Praça de S. Pedro. Roma

“Contudo, vemos que o turismo massivo, descontrolado, que tem apenas o intuito de ir a um local porque todos lá vão e porque está na moda, pode criar sérios problemas às comunidades residentes e até à qualidade dos espaços e dos ambientes.” Foto: Fiéis e peregrinos numa audiência geral na Praça São Pedro. © Vatican Media

 

Assinalou-se a 27 de setembro o Dia Mundial do Turismo. A este propósito, a Santa Sé através do Dicastério para a Evangelização publicou uma mensagem intitulada “Turismo e Paz”, associando-se à Organização Mundial do Turismo das Nações Unidas, na comemoração da data.

Viajar, peregrinar, fazer turismo aumenta o nosso conhecimento e dá-nos a oportunidade de contactar com novos povos e culturas, aprofundar a nossa cosmovisão e levar-nos a crescer na tolerância e no respeito pelos outros povos, culturas e tradições. Tudo isto pode ajudar a alicerçar a paz como um valor fundamental nos nossos corações.

O turismo pode trazer riqueza, e traz com certeza, às comunidades que guardam e preservam a cultura e as riquezas do passado, mas também as maravilhas do mundo natural.

Contudo, vemos que o turismo massivo, descontrolado, que tem apenas o intuito de ir a um local porque todos lá vão e porque está na moda, pode criar sérios problemas às comunidades residentes e até à qualidade dos espaços e dos ambientes.

A popularização das viagens de baixo custo, de companhias aéreas low cost, transportam enormes massas humanas para locais que podem ser completamente descaracterizados e até destruídos por um desejo de usufruto equivalente a querer ver tudo num parque de diversões ou a querer provar tudo o que está na mesa de um banquete.

Em Portugal e na Europa, este turismo desenfreado, desregulado e até agressivo tem inflacionado os preços dos alojamentos e das habitações; retirado os moradores dos lugares históricos para as periferias; destruído o comércio tradicional, dando lugar a lojas de recordações e esplanadas.

Por isso, em algumas cidades europeias já se limita o número de visitantes a determinados monumentos e locais. Aumentam-se taxas turísticas e em casos extremos até já há sinais de intolerância para com os turistas e visitantes, com atos de repúdio e manifestações.

O turismo é um importante sector da economia, mas tem de se pautar por razões éticas, desde as condições dos trabalhadores (pagando salários justos e possibilitando horários compatíveis com a vida familiar); a preservação ambiental; e a justa distribuição da riqueza com as comunidades que ao longo de séculos ou milénios criaram os espaços e monumentos, ou que souberam, sabiamente, preservar as paisagens, a fauna e a flora.

O turismo pode trazer a paz, pois conhecer as diferenças, aquilo que é belo, pode ajudar a combater os estereótipos e os preconceitos; mas também pode resvalar para o conflito se os interesses económicos substituírem as pessoas e o seu direito a viver em paz e tranquilidade na terra que os viu nascer e onde contruíram as suas vidas.

O turismo é muito importante, mas as pessoas são-no muito mais….

 

Sérgio Carvalho é professor.

 

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