
Crianças a transportar baldes com água num campo de deslocados na Síria: há quase 800 milhões de pessoas sem acesso a este bem essencial. Foto © OCHA/Bilal al Hamoud
Consciencializar a sociedade sobre a crise mundial da água e contribuir para a combater são os grandes propósitos do Nova Thirst Project. Sediado na Nova School of Business and Economics (Nova SBE, a escola de Economia da Universidade Nova de Lisboa, que agora usa uma designação em inglês), em Carcavelos, este projeto, dinamizado por estudantes universitários já permitiu a construção de um furo de água potável, no Reino de Essuatíni (antiga Suazilândia, na África Austral) permitindo levar água a 500 pessoas durante 40 anos.
Miguel Ferreira, responsável pelas relações externas do Nova Thirst Project, confirma, em declarações ao 7MARGENS o êxito que esta iniciativa tem conquistado: “A verdade é que já mudámos a vida de algumas comunidades porque quando construímos um poço acabamos mesmo por ter impacto em toda a comunidade envolvente do lugar onde o poço é construído.” O estudante da Nova não deixa ainda de referir o contexto muito precário em que vivem as populações que o projeto procura auxiliar: “Relativamente a esta comunidade em que nós atuamos, o Reino do Essuatíni, crianças e mulheres, que são os grupos mais afetados com esta crise de água mundial, costumam diariamente andar seis a oito horas para obter água e, muitas vezes, essa água não é potável, está cheia de um conjunto muito vasto de [agentes de transmissão de] doenças e acaba por ser mais perniciosa do que benéfica para a vida das pessoas.”
Através da organização de várias iniciativas, como vendas de bolos ou um torneio de padel e também de doações em missas, estes jovens conseguiram angariar 4520€ no semestre universitário que terminou no passado mês de junho. Isso permitiu atingir a meta do valor necessário (aproximadamente 12 mil euros) para a construção de um segundo furo de água potável. Esta verba será, depois, enviada para a sede do Thirst Project, nos Estados Unidos da América, a partir de onde é feita a gestão do dinheiro recolhido, mas não sem antes passar pelo crivo do Thirst Project Portugal (TPP), a delegação do projeto a nível nacional. “Esta gestão inclui a identificação das comunidades de Essuatíni que mais necessitam de um furo, executar a construção do furo em si e assegurar a manutenção do mesmo”, refere o estudante da escola de Economia e Negócios da Nova.
785 milhões sem acesso a água em todo o mundo

Participantes numa atividade de formação do núcleo da Nova Thirst Project em 2023. Foto: Direitos Reservados
Em Portugal há diversos polos do Thirst Project: além do núcleo da Universidade Nova, há grupos também em várias escolas secundárias, na Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa, no Instituto Superior Técnico (TagusPark e Alameda), na escola de Direito (designada também em inglês, School of Law) da Nova, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, na Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, Politécnico de Viseu, ISCTE, Universidade de Aveiro, Instituto Superior de Economia e Gestão, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e Universidade da Beira Interior, entre outras.
O Thirst Project mundial encontra-se, presentemente, a atuar em quatro países (Essuatíni, Uganda, El Salvador e Kenya), mas desenvolve a maior parte do seu trabalho no país da África Austral entalado entre Moçambique e a África do Sul. Os polos do projeto em Portugal estão apenas a atuar em benefício do Essuatíni.
De acordo com um relatório de 2017 da Organização Mundial da Saúde e da Unicef, apenas 69% da população do Essuatíni tem acesso a serviços básicos de água, enquanto apenas 58% tem acesso a serviços sanitários. O mesmo documento revela que apenas em 24% das casas no país se pratica a lavagem das mãos. Estes valores realçam a urgência de fornecer água limpa como uma medida essencial para melhorar as condições de vida e saúde da população, diz o projeto.
Estima-se que, atualmente, 785 milhões de pessoas não têm acesso a água de forma segura e limpa, a nível mundial.









