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Redentoristas Transalpinos
Redentoristas Transalpinos. Foto @ Infovaticana

Igreja Católica

Outra congregação próxima dos lefebvrianos vai ser excomungada ainda este mês

| 10/07/2026

 

As repercussões da excomunhão dos lefebvrianos ocorrida a 1 de julho não param de se fazer sentir. Há mais uma congregação que se prepara para ser excomungada no próximo dia 25 de julho. Outros movimentos de espiritualidade tradicionalista distanciam-se dos lefebvrianos para poderem manter a autorização de celebrar a missa latina tradicional. Um pouco por todo o mundo, bispos católicos recordam aos seus diocesanos que não podem frequentar os sacramentos ministrados pelos excomungados e apontam onde podem participar na missa tradicional. Na Igreja Católica em Portugal reina o silêncio sobre o tema.

A Congregação dos Filhos do Santíssimo Redentor, fundada em 1987 pelo padre Michael Mary Sim com a bênção do arcebispo Lefebvre, foi reconhecida pela Igreja Católica em 2012 como instituto clerical da Diocese de Aberdeen (Escócia) e tinha, até 2024, seguido um caminho de maior comunhão com Roma do que a Fraternidade São Pio X, à qual havia estado afiliada.

Mas, de acordo com o jornal La Croix de dia 7 de julho, vai consagrar o seu fundador a 25 de julho incorrendo em excomunhão automática, menos de um mês após o mesmo ter acontecido à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, que consagrou quatro novos bispos no dia 1 de julho.

Estes clérigos lefebvrianos – contemplativos e apostólicos –, conhecidos como Redentoristas Transalpinos, vivem em comunidade na ilha de Papa Stronsay, na costa da Escócia e defendem a missa latina tradicional. A congregação tem apenas algumas dezenas de membros e duas outras comunidades, uma no Montana (EUA) e outra na Nova Zelândia.

A expulsão desta última da Diocese de Christchurch, na Nova Zelândia, em 2024, sinalizou o início do seu caminho de rutura com Roma. O Catholic World Report cita a carta aberta que a congregação divulgou em outubro de 2025 rejeitando diversas declarações doutrinárias recentes da Igreja, nomeadamente as encíclicas do Papa Francisco.

Em maio deste ano, os Redentoristas Transalpinos deram outro passo, desta vez de maior gravidade. Passaram da contestação doutrinal à afirmação de que Leão XIV não era verdadeiramente o Papa. Esta posição, dita ‘sedevacantista’, alega que “as estruturas da Igreja Católica foram infiltradas por homens de uma religião não católica”. A congregação ocupa, assim, um lugar de potencial atração de quantos têm uma atitude mais radical de contestação ao Vaticano, muito para além das críticas doutrinais formuladas pelos principais responsáveis da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX).

 

Proibições e tradições

Archbishop Bernard Hebda

Arcebispo Bernard Hebda: “A mesma liturgia tradicional continua sendo celebrada em seis locais da arquidiocese. Aqueles que preferem a missa latina tradicional podem encontrar um lar aqui.” Foto © CCMA

Nos Estados Unidos da América, país em que os lefebvrianos contam com uma forte implantação, “vários bispos católicos, em cujas jurisdições existem locais de culto da FSSPX, estão a proibir explicitamente os católicos de participarem nas celebrações da congregação, ao mesmo tempo que incentivam os frequentadores habituais e os padres da fraternidade a buscar orientação espiritual e a regressar à Igreja Católica”, escreve o Catholic Wordl Report na sua edição de dia 7 de julho.

O jornal cita vários bispos, entre os quais o arcebispo Bernard Hebda, da diocese de Saint Paul e Minneapolis, que tornou público um convite para que “regressem a casa” os diocesanos próximos da FSSPX: “Neste momento difícil, somos abençoados pelo facto de que a mesma liturgia eucarística tradicional, apreciada por aqueles que participaram de celebrações com a FSSPX no passado, continua sendo celebrada em seis locais da arquidiocese. Confio que aqueles que preferem a missa latina tradicional podem encontrar um lar aqui.”

Também o bispo da diocese de Ogdensburg (Nova York), Terry LaValley, afirmou em comunicado que os católicos estão “proibidos” de participar nos sacramentos da FSSPX pois esta “repudia e denuncia os ensinamentos do Concílio Vaticano II, em particular o ecumenismo, a liberdade religiosa, a colegialidade dos bispos com o Papa e a compreensão e o relacionamento da Igreja com o judaísmo”.

Outro exemplo é o do bispo, Michael J. Sis, da diocese de San Angelo (Texas), que escreveu em nota pastoral: “Em vez de assistir a missas celebradas pelo clero excomungado da FSSPX, incentivo os católicos que desejam celebrar a missa latina tradicional a frequentar a Igreja Católica de Santa Margarida da Escócia, onde a Missa na Forma Extraordinária é celebrada todos os domingos com a permissão da Santa Sé.”

No polo oposto, vários grupos tradicionalistas têm também condenado a consagração não autorizada de bispos por parte da FSSPX, sublinhando que a consequente excomunhão não diz respeito à sua espiritualidade nem à celebração da missa latina tradicional.

É o caso da Fraternidade São Vicente Ferrer (FSVF), grupo tradicionalista francês, que, dando conta da “existência de correntes internas na Igreja que, ‘não permanecendo na sã doutrina’ põem em questão verdades dogmáticas e morais fundamentais por meio de um processo de autosecularização”, solicita ao Papa que “condene esses erros e, para a proteção do povo cristão, repudie os padres ou bispos que os promovem e encoraje todos aqueles que se opõem a eles”.

No comunicado que divulgou esta semana, a FSVF cita um documento do Dicastério para a Doutrina da Fé que refere existirem “diversos graus da adesão requeridos pelos textos do Concílio Vaticano II” e que os fiéis podem adotar “uma justa posição de adesão ao Magistério e, em simultâneo, criticar respeitosamente as deficiências de alguns textos”. E, assim sendo, apela à Santa Sé para que “demonstre a sua solicitude paternal por todos aqueles fiéis católicos que se sentem ligados a certas formas litúrgicas e disciplinares anteriores da tradição latina”.

 

Tradicionalistas querem padres

Fraternidade Sacerdotal São Pio X

Foto © FSSPX

Sobre esta tradição a posição do Vaticano tem conhecido vários ziguezagues. Em 2007 o motu proprio de Bento XVI intitulado Summorum Pontificum permitiu aos defensores da forma extraordinária da missa (celebrada em latim e com o sacerdote de costas para a assembleia, como era costume antes do Concílio) que “preservassem as suas próprias tradições espirituais e litúrgicas”. E, em 2009, o mesmo Papa revogou as excomunhões dos lefebvrianos.

Depois, já em 2021, outro motu próprio, agora do Papa Francisco, o Traditionis Custodes, veio revogar o Summorum Pontificum, restringindo o uso da missa latina tradicional e remetendo para cada bispo a autorização de tais celebrações na sua diocese.

Na diocese de Lisboa existem alguns locais de celebração dinamizados por membros da FSSPX agora excomungada, mas não há conhecimento de que o bispo de Lisboa lhes tenha dirigido qualquer palavra pública, pois, segundo apurou o 7MARGENS junto do Patriarcado, “não existe uma posição particular a acrescentar relativamente ao que já foi estabelecido pela Santa Sé”. O facto desta fraternidade ter sido excomungada não confere aos bispos diocesanos qualquer força legal para mandar encerrar os locais de culto e formação possuídos e geridos pela fraternidade.

De acordo com reportagem recente publicada no jornal Nascer do Sol, abriu um novo local em Marvila no qual “todos os dias há missas em latim e se reúnem os seguidores de Marcel Lefebvre “. O jornal recolheu testemunhos garantindo que a FSSPX “tem crescido muito em Portugal nos últimos anos”, graças, em parte, à ação do padre espanhol Carlos Mestre.

Esse crescimento levou a que já tivesse sido solicitado “aos responsáveis máximos a nível internacional” para enviarem “mais um padre para o país para ajudar os dois que atualmente celebram as cerimónias”. Além de Lisboa, há templos afetos à FSSPX no Porto e em Fátima, afirma o jornal.

Segundo um antigo membro da Fraternidade São Pio X disse ao Nascer do Sol, a fraternidade teria a nível mundial, além de seis bispos, 733 sacerdotes, 265 seminaristas, 145 oblatos e 250 irmãs, espalhados por 798 lugares de culto.

 

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