
Francisco pediu aos diretores das revistas jesuítas para, nas suas publicações, ajudarem a transmitir e a compreender o drama humano da guerra. Foto reproduzida a partir do site da revista Brotéria.
“O que está a acontecer à humanidade que, apenas num século, já teve três guerras mundiais?”, perguntou o Papa aos diretores das revistas culturais europeias da Companhia de Jesus, que estiveram reunidos com ele na Biblioteca Privada do Palácio Apostólico. Para Francisco, não restam dúvidas: “A Terceira Guerra Mundial já foi declarada”, uma guerra “de interesses globais, de venda de armas e de apropriação geopolítica, que está a martirizar um povo heróico”, afirmou durante a audiência que decorreu no passado dia 19 de maio, mas cujo conteúdo só foi divulgado esta terça-feira, 14, podendo ser lido na íntegra na página da Brotéria.
Durante o encontro, que contou com a participação do padre José Frazão Correia (diretor da revista portuguesa Brotéria), o Papa lamentou que a guerra na Ucrânia tenha sido de alguma forma “provocada ou não impedida” e recordou outros locais em que “a guerra ainda está a decorrer e ninguém se importa”, como o o norte da Nigéria, o norte do Congo e a Birmânia.
Ainda sobre a Ucrânia, Francisco enalteceu o seu “povo sem medo de lutar. Um povo trabalhador e, ao mesmo tempo, orgulhoso da sua terra”. Assumiu-se emocionado com o drama que se está a desenrolar por detrás da guerra, pedindo aos diretores das revistas jesuítas para, nas suas publicações, ajudarem a transmitir e a compreender o drama humano da guerra, indo para além das análises geopolíticas.
A propósito da sua conversa com o Patriarca Cirilo, o Papa Francisco esclareceu ainda que nesse contacto este leu uma declaração na qual apresentava razões para justificar a guerra: “Quando terminou, intervim e disse-lhe: ‘Irmão, nós não somos clérigos de Estado, somos pastores do povo’”. Francisco adiantou ainda que deveria ter-se encontrado com o Patriarca Cirilo no dia 14 de junho em Jerusalém. “Mas, com a guerra, por acordo mútuo, decidimos adiar a reunião para uma data posterior, para que o nosso diálogo não fosse mal-entendido. Espero encontrá-lo por ocasião de um congresso no Cazaquistão, em setembro. Espero poder cumprimentá-lo e falar um pouco com ele como pastor”, rematou.










