
O Papa Francisco partilhou o almoço com 1300 pessoas carenciadas da Diocese de Roma. Foto © Vatican Media
O Papa Francisco almoçou hoje no Vaticano com cerca de 1300 pessoas em necessidade, entre sem-abrigo, migrantes e utentes da Cáritas de Roma, assinalando o VI Dia Mundial dos Pobres.
A iniciativa decorreu no Auditório Paulo VI, após a Missa presidida pelo Papa na Basílica de São Pedro. “Que Deus nos abençoe a todos neste encontro de amigos, neste almoço, às nossas famílias. Obrigado, bom almoço”, disse Francisco, no início da refeição.
O menu deixou de fora a carne de porco, para permitir a participação de quem professa religiões que não a permitem, explicou D. Rino Fisichella, do Dicastério para a Caridade (Santa Sé), responsável pela organização desta jornada.
A mesa de Francisco tinha 20 pessoas, incluindo um sem-abrigo italiano, que recebeu o Papa com visível emoção.
As várias iniciativas para o Dia Mundial dos Pobres incluíram consultas médicas gratuitas, entrega de cabazes alimentares e pagamento de faturas de energia. Após uma pausa de dois anos, devido às restrições causadas pela pandemia de Covid-19, a Praça de São Pedro voltou a receber um posto de saúde móvel para oferecer exames médicos e medicamentos, vacinas contra a gripe e testes para várias doenças.
Nos últimos dias, foram entregues em Roma um total de 5 mil cabazes alimentares, com a ajuda das paróquias locais, que identificaram as famílias mais necessitadas, num total de cerca de 10 toneladas de massa, 5 toneladas de arroz, farinha, açúcar, sal e café, e 5 mil litros de azeite e leite.
As iniciativas do Vaticano têm em consideração a crise energética, prevendo o pagamento de contas de gás e luz.
Antes do almoço, o Papa presidiu à missa do VI Dia Mundial do Pobre. Na homilia, o Papa denunciou as consequências da fome e da violência, que atingem milhões de pessoas em todo o mundo, convidando a ouvir o “grito dos mais fracos” no que chamou de III Guerra Mundial. “Também hoje vemos levantar-se povo contra povo e assistimos, angustiados, à frenética extensão dos conflitos, à calamidade da guerra, que provoca a morte de tantos inocentes e multiplica o veneno do ódio”, disse.
Francisco aludiu aos cenários de violência, como a “crueldade” que atinge o povo ucraniano, de injustiça e perseguição, a que se somam a crise gerada pelas alterações climáticas e pela pandemia, “que deixou atrás de si um rasto de perturbações não apenas físicas, mas também psicológicas, económicas e sociais”.
O Papa que se manteve numa cadeira junto ao altar, devido às dificuldades em movimentar-se, evocou também os migrante e quem vive na precariedade, “pela falta de emprego ou por condições laborais injustas e indignas”. “Também hoje os pobres são as vítimas mais penalizadas de qualquer crise. Mas, se o nosso coração estiver blindado e indiferente, não conseguiremos ouvir o seu débil grito de dor, chorar com eles e por eles, ver quanta solidão e angústia se escondem mesmo nos cantos esquecidos das nossas cidades”.
Francisco convidou os presentes a refletir sobre o “que diz o Senhor, com esta III Guerra Mundial”. “Hoje, cada um de nós, deve interrogar-se, diante de tantas calamidades, desta III Guerra Mundial tão cruel, diante da fome de tantas mulheres e tantas pessoas: posso desperdiçar? Desperdiçar dinheiro, desperdiçar a minha vida, o sentido da minha vida?”, questionou.
O Papa alertou para a tentação de procurar respostas em “gurus”, “horóscopos” ou “teorias da conspiração”. “Não demos ouvidos aos profetas da desgraça; não nos deixemos encantar pelas sereias do populismo, que instrumentaliza as necessidades do povo, propondo soluções demasiado fáceis e precipitadas. Não sigamos os falsos messias que, em nome do lucro, proclamam receitas úteis apenas para aumentar a riqueza de poucos, condenando os pobres à marginalização”, elencou.
A intervenção sustentou que os cristãos devem responder à “cultura do descarte”, fugindo da “surdez interior” que impede de “ouvir o grito de sofrimento, sufocado, dos mais frágeis”.









