
Numa vigília interconfessional realizada na última segunda-feira, na histórica catedral de São Pedro, em Genebra, apelou-se a nunca esquecer que “uma vida humana é uma vida humana – sempre e em qualquer lugar”. Foto © EPG/Eric Roset
“Convidamos as forças políticas, religiosas e culturais de todo o mundo a agirem para que uma paz justa e duradoura possa ser construída em toda a região” do Médio Oriente, apelam os líderes de diferentes religiões, num comunicado distribuído em Paris esta segunda feira, dia 7. Na tomada de posição, os responsáveis religiosos dirigem-se aos líderes políticos para que “trabalhem para uma ação concertada por parte da comunidade internacional e lembrem aos beligerantes a necessidade de respeitar o direito humanitário internacional”.
O apelo surgiu no dia em que se evocava o mortífero ataque do Hamas em Israel, que já tinha levado a uma posição conjunta de líderes religiosos católicos, protestantes, ortodoxos, judeus, muçulmanos e budistas.
Os dirigentes religiosos dizem “carregar” “no coração e na carne o imenso sofrimento dos civis israelitas, palestinianos e libaneses, das famílias feridas, das vidas destruídas, entregues ao terror e à devastação produzidos pela guerra”. Declaram, por outro lado, “condenar os abusos cometidos na Cisjordânia” e dizem-se “profundamente preocupados com as consequências duradouras de tanta violência, seja terrorista ou militar, entre aqueles que a sofrem e aqueles que a praticam”.
O comunicado inter-religioso condena a violência “em todas as suas formas” e “deplora o número insuportável de vítimas civis”; apela à oração pelo povo israelita, pelo povo palestiniano, pelo povo libanês e pelo povo iraniano que “hoje se encontra preso numa lógica de guerra” e expressa gratidão às organizações que trabalham para manter cuidados médicos e os abastecimentos.
Por fim, os líderes religiosos apelam aos seus concidadãos, “crentes ou não, a que preservem e cultivem relações fraternas, que unam as pessoas umas às outras com respeito e cuidado mútuo”, rejeitando “firmemente qualquer forma de antissemitismo, ódio anti-muçulmano, racismo, desprezo ou discurso de ódio e morte e estigmatização de qualquer tipo” e procurando “incansavelmente a verdade e a justiça em vista da paz”.
Ataques de Israel no Líbano são intoleráveis, diz Conselho Mundial das Igrejas

Um ano depois, a destruição prossegue e estendeu-se ao sul do Líbano. Foto © UNICEF/Diego Ibarra Sanchez
Numa vigília interconfessional realizada na última segunda-feira, na histórica catedral de São Pedro, em Genebra, sob o lema “Recoleção inter-religiosa – um ano de sofrimento”, rezou-se para “que o [Deus] Clemente estabeleça a paz entre os descendentes de Isaac e de Ismael e entre todos os seres humanos” e apelou-se a nunca esquecer que “uma vida humana é uma vida humana – sempre e em qualquer lugar”.
O Conselho Mundial de Igrejas (CMI) reconheceu, num comunicado alusivo à data, “as numerosas atrocidades” cometidas pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, “em total violação dos princípios mais fundamentais do direito internacional e da moralidade”. No entanto, acrescenta a posição, “a enormidade da subsequente guerra de Israel em Gaza é chocantemente inaceitável”, já que “agravou exponencialmente as violações e o sofrimento infligido a civis inocentes, com mais de 41.700 pessoas mortas – incluindo mais de 16.000 crianças –, mais quase 100.000 pessoas feridas e mais de 10.000 desaparecidos e presumivelmente mortos debaixo dos escombros, de acordo com as autoridades de saúde no país”.
“Cerca de 1,9 milhões de pessoas – 90% da população de Gaza – foram várias vezes deslocadas à força das suas casas, e quase meio milhão de pessoas enfrentam uma insegurança alimentar catastrófica, enquanto a infraestrutura crítica de Gaza, os serviços médicos e educativos, a habitação, a economia, as terras agrícolas e as frotas pesqueiras foram em grande parte devastadas”, denunciou aquele Conselho.
Sobre a atualidade do conflito, o CMI considerou “intoleráveis” os ataques perpetrados no Líbano por parte das forças armadas de Israel, que “resultaram em destruição generalizada e na trágica perda de vidas civis”.
“Estamos profundamente alarmados com o contínuo desrespeito pelo direito internacional, que apenas perpetua o ciclo de violência e punição coletiva, como tragicamente visto em vários conflitos ao redor do mundo”, alerta uma declaração, subscrita pelo secretário-geral do Conselho, Jerry Pillay.
“Os ataques com mísseis de Israel e outras ações no Líbano, agora seguidos pela sua invasão do sul do Líbano, são violações claras do direito internacional, uma afronta à soberania do estado libanês e claramente provocatórias, ameaçando um conflito mais amplo e um sofrimento humanitário ainda mais terrível na região”, acrescenta.
O CMI apela ao “fim imediato de toda a violência” e ao cessar-fogo, uma vez que “o caminho para a paz está no diálogo e nas negociações, não em mais derramamento de sangue e destruição”. Aquela organização internacional considera que a comunidade internacional, e especialmente os Estados Unidos da América, devem “exercer pressão sobre Israel para interromper essas violações e defender os princípios de justiça, paz, dignidade humana e igualdade de direitos”.









