
O Papa Francisco durante uma ligação vídeo com os participantes do 10º Encontro nacional de jovens católicos em São Petersburgo, na Rússia, em Agosto deste ano: as dificuldades da situação actual no país serão um dos temas em debate no “Meeting”. Foto Vatican Media
Exposições e debates com a esperança como tema de fundo e a Rússia e a Ucrânia como contextos: neste fim-de-semana, o “Meeting” de Lisboa, iniciativa promovida pelo movimento católico Comunhão e Libertação, pergunta se ainda é possível a esperança “num tempo em que florescem os extremismos, cresce o ódio e se multiplicam as guerras”. E propõe, na Gare Marítima de Alcântara, neste sábado e domingo, a provocação de Charles Péguy, o poeta, ensaísta e filósofo francês que foi morto nas trincheiras da Grande Guerra 1914-18. Autor de Os Portais do Mistério da Segunda Virtude, publicado em Portugal há nove anos na Paulinas Editora, Péguy escrevia: “O que me espanta é a Esperança”.
O ponto de partida, diz a informação sobre o encontro, é a exposição Homens, apesar de tudo, organizada a partir dos arquivos da Associação Memorial, que recebeu o Prémio Nobel da Paz em 2022 e é a mais antiga associação de defesa dos direitos humanos da Rússia.
Na exposição, poderão ser vistos textos, vídeos e fotografias de uma coleçcão que está actualmente apreendida pelo Estado russo, já que a Memorial foi encerrada por Vladimir Putin no final de 2021, pouco tempo antes da invasão da Ucrânia.
A associação tinha reunido já muito material desde que foi constituída em 1989, no estertor do regime soviético, com o objectivo de investigar e documentar as histórias das vítimas dos anos mais negros da história da União Soviética, particularmente do estalinismo.
Haverá ainda outras exposições “centradas na razoabilidade da esperança no trabalho, na vida quotidiana e na literatura”. Uma delas, Grãos de pó coroados de glória, é uma “instalação interactiva sobre um dos aspectos mais áridos, mais concretos e mais duros da cultura contemporânea: o trabalho e os seus desafios no século XXI”. As exigências de bons desempenhos e de sucesso, a conciliação entre o trabalho e a família, a realização e a satisfação pessoal, os esgotamentos, são temas que a instalação procura questionar.
Uma outra, sobre O testemunho de Andrea Mandelli, evoca a curta vida de um jovem italiano que morreu aos 19 anos, em 1990, e que se empenhou no estudo, em leituras, na organização de encontros de jovens, na fundação de um jornal escolar, nas eleições para a associação de estudantes, na venda de livros usados e que praticava alpinismo e esqui. Sofrendo de uma doença com a qual viria a morrer, Andrea responder à sua vocação de cristão.
A terceira, Querendo, quero o infinito, tenta retratar a vida e a obra de Fernando Pessoa e dos seus heterónimos, procurando ler no que escreveu as tentativas de “encontrar uma resposta para a vida”.
A Criação começa amanhã de manhã é uma apresentação dramática sobre o escritor e poeta Charles Péguy, que foi também editor dos Cahiers de la Quinzaine (1900-1914). A encenação procura retratar o seu percurso, desde o socialismo republicano que abraçou até ao catolicismo a que se converteu, e que espelhou nos livros O Mistério da Caridade de Joana D’Arc, O Pórtico do Mistério da Segunda Virtude e O Mistério dos Santos Inocentes.
O programa do Meeting fica completo com um conjunto de debates sobre temas como a Inteligência Artificial, o tema da esperança, o trabalho e sobre o que é hoje ser cristão na Rússia de Putin.
Com entrada livre, o programa completo pode ser consultado na página da iniciativa.









