
Nova reunião entre as partes ficou prevista para o corrente mês de março. Foto © UE.
A Sérvia e o Kosovo apoiaram conjuntamente uma proposta apresentada por diplomatas da União Europeia (UE), que visa normalizar as tensas relações entre os dois países vizinhos dos Balcãs. O facto foi anunciado pelo chefe da política externa da UE, Josep Borrell, na sequência de um encontro negocial que decorreu na última segunda-feira,27, em Bruxelas, envolvendo o presidente sérvio Aleksandar Vucic e o primeiro-ministro de Kosovo, Albin Kurti.
O sinal de que diferenças quanto à implementação da matéria acordada continuam a persistir reside no facto de o acordo não ter sido ainda assinado, segundo notícia veiculada pela Voice of America. Por isso, nova reunião entre as partes ficou prevista para o corrente mês de março, a fim de afinar os pormenores da concretização da matéria acordada para pôr fim a um clima que, ainda há dois meses, era de pré-conflito.
Segundo Josep Borrell, os dois políticos prometeram não tomar, entretanto, medidas unilaterais que possam levar a tensões e colocar em risco o acordo alcançado.
Desde que declarou unilateralmente a independência da Sérvia, em 2008, o Kosovo foi reconhecido por cerca de uma centena de países, incluindo a grande maioria dos países da UE e da Nato, bem como da Organização da Cooperação Islâmica, mas não por organizações como o Mercosul, que inclui o Brasil, nem pela Rússia e pela China. O país, de perto de dois milhões de habitantes, incorpora importantes comunidades albanesas e sérvias, respetivamente de religião muçulmana e ortodoxa.
Ao longo da história, o território do Kosovo foi disputado por pelo menos cinco impérios. A Sérvia, de maioria ortodoxa, considera que, do ponto de vista histórico e cultural, ele faz parte da sua identidade, encontrando-se do lado kosovar algumas das mais importantes igrejas e mosteiros dos ortodoxos. A maioria do Kosovo, de etnia albanesa e religião muçulmana, vê o Kosovo como o seu país, olhando a Sérvia como força de ocupação e repressão. O desfecho do conflito desencadeado em 1998 entre as duas partes, que levou a uma polémica intervenção da Nato contra Belgrado no ano seguinte, abriu terreno para a posterior declaração de independência do lado kosovar.
O acordo agora alcançado consiste num plano de 11 pontos que prevê que “as partes devem desenvolver relações normais de boa vizinhança com base em direitos iguais. Ambas as partes devem reconhecer mutuamente os respetivos documentos e símbolos nacionais, incluindo passaportes, diplomas, placas de veículos e carimbos alfandegários”.
Ainda que não chegue a reconhecer explicitamente a independência do seu vizinho, a Sérvia declara não colocar objeções à adesão do Kosovo a qualquer organização internacional.
O acordo estipula também, por outro lado, que as partes envolvidas “ratificarão o estatuto oficial da Igreja Ortodoxa Sérvia no Kosovo e garantirão um alto nível de proteção do património religioso e cultural sérvio, de acordo com os padrões europeus existentes”.
Recorde-se que a Sérvia é formalmente candidata a membro da União Europeia e que o Kosovo demonstrou vontade de apresentar também a sua candidatura, sendo considerado nos documentos da UE um “candidato potencial”. A paz entre eles será certamente um fator decisivo.










