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Cardeal Tolentino Mendonça assinalou encerramento das celebrações do 55.º aniversário da UCP. Foto © Agência Ecclesia.

Cardeal em conferência

Tolentino Mendonça alerta para ditadura dos algoritmos

Cardeal Tolentino Mendonça assinalou encerramento das celebrações do 55.º aniversário da UCP. Foto © Agência Ecclesia.

Cardeal Tolentino Mendonça assinalou encerramento das celebrações do 55.º aniversário da UCP. Foto © Agência Ecclesia.

 

O cardeal português José Tolentino Mendonça disse sexta-feira, na sede da Universidade Católica Portuguesa (UCP), em Lisboa, que só uma “antropologia integral” pode defender a humanidade da ditadura do algoritmos.

“Estamos no olho de uma tempestade e teremos de encontrar uma via de equilíbrio, que ainda não vemos claramente”, referiu o prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação (Santa Sé), na conferência de encerramento das comemorações do 55.º aniversário da UCP, citado pela Agência Ecclesia.

Perante centenas de pessoas, o colaborador do Papa apresentou uma conferência intitulada “Que Recursos Espirituais para Enfrentar o Futuro?”, com uma intervenção em que destacou a urgência de “ativar e redescobrir” os recursos espirituais e humanos, que podem “fazer ressurgir” a humanidade, como instrumentos primários de socorro” para “operacionalizar a esperança e plasmar o futuro”.

“O recurso principal é sempre a pessoa humana”, apontou o prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação. Nesse sentido, assinalou que, “em nenhum momento a vida humana é descartável”, pedindo “renovado apreço e reencontrada veneração” por cada pessoa.

“Uma universidade não é uma empresa, não é uma indústria de ideias”, advertiu ainda. Para o cardeal e poeta, outros recursos espirituais para o futuro são o “espanto”, de quem se reconhece frágil, a “relação”, a capacidade de “aceitar o risco” e a “esperança”. José Tolentino Mendonça sustentou que “a ciência não tem de pôr de lado a dimensão do mistério”.

O cardeal madeirense apontou a uma “revolução tecnológica, civilizacional e antropológica” em curso, que “visa alterar a configuração da experiência do mundo”. “Qualquer porção do real pode agora ser traduzida numericamente”, observou, para falar de “uma vida desmaterializada” e “incrivelmente veloz”, sem restrições de tempo nem limites de espaço.

A intervenção aludiu a uma sucessão de crises, que alimentam a “crise antropológica”, com “elementos e desafios inéditos na história humana”. “Estamos no turbilhão de uma mudança epocal”, insistiu D. José Tolentino Mendonça.

Para o cardeal e poeta, a história da humanidade pode ser retratada como uma “conversa”, tanto no nível académico como no trabalho quotidiano, porque em todas as circunstâncias, “a palavra partilhada permanece um reduto”.

“Não seríamos o que somos sem a conversa”, sustentou o responsável da Santa Sé, para quem este encontro de palavras permite uma “abertura de horizontes”.

O conferencista saudou os participantes no encontro, nos quais identificou as “redes de amizade e esperança” fundamentais para a Universidade, em “tempos de grande incerteza”, marcados pela “globalização da esperança e do medo”, que ameaçam a “casa comum”.

José Tolentino Mendonça apelou à criação de redes, nas várias áreas do saber, mantendo a sua “matriz universalista”, que lhe permite integrar “novas fronteiras do conhecimento”. “Precisamos da ousadia de realizar alianças entre saberes”, defendeu.

A intervenção encerrou-se com uma evocação dos 55 anos de história da UCP, que se “tem destacado como instituição qualificada, credível e inovadora”.

 

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