
Através dos podcasts, os padres Paulo Terroso, Tiago Freitas e Pablo Lima (na foto, da esquerda para a direita), querem “contribuir positivamente para o discurso eclesial”. Foto: Direitos reservados
Partilhar “reflexões e leituras com amigos e outros interessados” foi o que motivou três padres com uma trajetória de formação comum em Braga e em Roma a criar uma presença pública através de podcasts difundidos nas redes sociais, designadamente no Spotify e no Facebook, sob o título “Os suspeitos do costume”.
O mais recente, que foi para o ar a 4 de janeiro, incidiu sobre a Declaração Fiducia Supplicans, da Congregação para a Doutrina da Fé, que prevê a bênção de casais em “situação irregular” e casais homossexuais. Os anteriores incidiram em aspetos da síntese dos trabalhos da primeira sessão do Sínodo dos Bispos, em Roma, em outubro passado, nomeadamente a participação dos leigos no processo de tomada de decisões na Igreja.
De resto, foi quando este acontecimento maior da Igreja Católica estava a decorrer que a ideia surgiu, segundo disse o padre Paulo Terroso ao 7MARGENS; ele que foi um dos raros participantes portugueses, na qualidade de membro da Comissão de Informação do Sínodo, além de ser também responsável pelo Secretariado para a Comunicação Social da Arquidiocese de Braga, entre outras funções que exerce.
Os outros dois ‘podcasters’ são o padre Tiago Freitas, teólogo, docente da Universidade Católica e diretor da Livraria Diário do Minho; e o padre Pablo Lima, da diocese de Viana do Castelo, que está a fazer o doutoramento na Faculdade de Teologia da Universidade de Cambridge (Reino Unido).
“No fundo, queremos contribuir positivamente para o discurso eclesial, em particular nas redes sociais, onde há demasiado hate-speech [discurso de ódio] e desinformação, e onde vozes importantes ou capazes não se fazem sentir por medo ou outras razões”, explicou o padre Terroso sobre o sentido e alcance desta iniciativa.
Aquele presbítero explicou ainda que estas conversas já existiam em off, entre amigos, no decurso de anos de convivência, durante a formação no Seminário de Braga e, depois, em Roma, num quadro de partilha de “interesses comuns, momentos de lazer, viagens, leituras, notícias”.
Em clima de informalidade – e também “sem teorias da conspiração, sem agenda escondida, nem pretensões de nada”, refere o padre Terroso – pretenderam corresponder a pedidos para que as conversas continuassem. E assim será, acrescenta, “enquanto gostarmos e tivermos tempo e temas e [a iniciativa] for relevante”.









