
João Pereira de Moura (ao centro) numa sessão pública: “Um cristão empenhado e um divulgador da doutrina social da Igreja.” Foto: Direitos reservados.
No dia 31 de Maio do ano corrente, faleceu o dr. João Pereira de Moura, cuja atividade profissional esteve fundamentalmente ligada ao Fundo de Desenvolvimento da Mão de Obra, de que foi diretor entre 1964 e 1971, e ao Departamento de Estudos e Planeamento do Ministério do Trabalho, onde exerceu funções de diretor-geral, desde a sua fundação até à reforma, em 1997. Como dirigente do Ministério do Trabalho desenvolveu uma atividade intensa no âmbito internacional, em especial na OCDE, no Conselho da Europa e na OIT.
João Moura influenciou toda uma geração de técnicos que com ele conviveram no Ministério do Trabalho, sendo apelidado de economista “virado para o social”, segundo uma expressão que lhe foi aplicada no Brasil. Juntamente com o seu grande amigo, Acácio Catarino, foi uma referência para todos os que com eles trabalharam na área da Economia do Trabalho.
Mesmo no período anterior ao 25 de Abril de 1974, João Moura distinguia-se pela competência e independência face aos poderes estabelecidos e ligação ao que melhor se fazia, na sua área, no âmbito internacional. Daí que tenha sido o único diretor-geral reconduzido no período pós-25 de Abril de 1974.
A par da sua atividade profissional, João Moura foi um cristão empenhado na valorização do papel dos leigos na Igreja e um estudioso e divulgador da Doutrina Social da Igreja. Particularmente significativa foi a sua participação na preparação e realização no II Encontro Nacional dos diplomados católicos, em 1962/63. Posteriormente, foram inúmeras as conferências e palestras em que participou, numa estreita colaboração com o cardeal D. António Ribeiro, a quem muito admirava. Entre 1986 e 1996 presidiu também à Comissão Diocesana Vocação e Missão dos Leigos, do Patriarcado de Lisboa.
Na hora da sua partida não podemos deixar de o recordar, juntamente com outros nomes já desaparecidos, como é o do já citado Acácio Catarino, mas também Alfredo Bruto da Costa e Manuela Silva. Foram vozes que nunca se cansaram de refletir e de atuar sobre a sociedade de que faziam parte, inspirados pelo Evangelho e movidos pelo seu compromisso para com o mundo.
Maria Eduarda Ribeiro é economista aposentada do Ministério do Trabalho; foi secretária-geral da Comissão Nacional Justiça e Paz e integra o conselho de administração da Fundação Betânia.










