
Há música na poesia de Guerra Junqueiro, escreve Henrique Manuel Pereira no “prefácio” a este disco. Assim é: a música foi composta por Alfredo Teixeira, que tem trabalhado a partir do património poético, dando destaque à voz, com frequência “em diálogo com instrumentos solistas ou formações instrumentais”. Mas a música já lá está, na forma como Junqueiro “reza” esta Oração à Luz.
Conhecido pel’A Velhice do Padre Eterno, obra cimeira do anticlericalismo, a poesia de Junqueiro manifesta um profundo misticismo. Esta obra é exemplo disso: na busca de uma linguagem meditativa, onde a voz se impõe docemente, busca o silêncio nos interstícios da música, que contempla e promete, a partir deste símbolo do Natal por excelência: “Luz das estrelas, vaga luz silente,/ Cai dos abismos do mistério ardente,/ Sangra calvários infinitamente,/ Para eu rezar! (…) E cantando, E lutando, E sonhando, E chorando, E rezando, Farei da cega luz que me alumia/ A luz espiritual do grande dia, A luz de Deus, a luz do Amor, a luz do Bem…”
Como recorda Henrique Manuel Pereira, Junqueiro procurou “o segredo íntimo das coisas”. E Fernando Pessoa dizia que “de um canto à luz tira Junqueiro uma das maiores poesias metafísicas do mundo”. O disco e a sua música assim o confirmam.
Oração à Luz
Autores: Guerra Junqueiro (poemas) e Alfredo Teixeira (música)
Intérpretes: Joana Moreira (piano) e Miguel Maduro-Dias (voz)
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(Este texto foi inicialmente publicado na edição de Dezembro da revista Além-Mar, dos Missionários Combonianos)









