Uma renovação a precisar de novos impulsos

| 23 Mai 2022

Encontro anual de movimentos de leigos e associações. Foto © Dicastério Família, Leigos e Vida

Encontro anual de movimentos de leigos e associações. Foto © Dicastério Família, Leigos e Vida

 

A experiência que fizemos no Concílio Vaticano II constitui o rosto dos documentos tão ricos que ficam como acervo da sua memória, dizia frequentemente o bispo de Aveiro, D. Manuel de Almeida Trindade. Eu era seu colaborador pastoral. E pude verificar como vivia esta sua profunda convicção.

É este o objectivo fundamental, no meu entender, do Sínodo em curso na Igreja Católica. Experienciar a alegria e a riqueza do viver em comunhão, do caminhar juntos, do partilhar o que de bom se realiza e faz história, do clamor pelo que nos afasta de tão belos passos. E a sentirmo-nos movidos não apenas pela amizade humana nem pela urgência das respostas a dar, mas pelo Espírito que renova a face da terra e bate às portas da Igreja (Apocalipse 3, 20). Movidos a sermos pessoas virtuosas e a praticarmos o discernimento como parte essencial do ser e agir em Igreja.

Acompanhei como conselheiro espiritual a reflexão e partilha que uma equipa de casais realizou ao longo de várias reuniões. A verificação feita e o acesso a dados de vários grupos e movimentos, bem como a comentários de órgãos de comunicação, designadamente o 7MARGENS e a Ecclesia, alargaram o meu horizonte e servem de base a este meu modo de ver e apreciar a caminhada sinodal.

As sínteses das dioceses e outras instituições foram-me chegando a conta gotas e dão-me novo alento para prosseguir com atenção a “Igreja em saída” que procura ser fiel ao seu ser original, a sinodalidade. Acho estas sínteses muito ricas, com grande força germinal para novos impulsos, mais ritmados com as vozes do tempo que vivemos. Por isso, julgo deficiente o seu aproveitamento pastoral e redutor a sua mais-valia, limitando o âmbito do seu conhecimento a alguns círculos e remetendo o acervo restante para os arquivos das cúrias episcopais. [ver 7MARGENS]

Ouvirmo-nos uns aos outros, acolher e oferecer o que é nosso, faz-nos perceber que a Igreja não é, apenas, o bispo e o padre, “a Igreja és tu, somos nós juntos, onde Ele se faz indubitavelmente presente, como fez com os discípulos de Emaús (Lucas 21, 13), como faz com todos os que o procuram, juntos, de coração sincero… O eco das vozes do povo de Deus permanece como farol nos que se dispuseram a segui-lo, tão diversas e ao mesmo tempo harmoniosas que não podemos esquecê-las. Fica connosco, Senhor, não deixes que anoiteça”. Esta é a valoração de Dina Matos Ferreira, coordenadora local da dinâmica sinodal na paróquia católica de São Francisco Xavier, em Lisboa.

Valoração que integro na minha ressonância à dinâmica, frouxa em tantos lados, de renovação eclesial. A necessitar de novos impulsos.

 

Georgino Rocha é padre católico da diocese de Aveiro e desempenhou já o cargo de vigário diocesano da pastoral.

 

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