
Os selos mostram jardins, espaços interiores e arquitectura do Centro Ismaili, em Lisboa. Foto: Direitos reservados
Uma viagem pela arquitectura, os jardins e os espaços interiores do Centro Ismaili, no ano em que o edifício-sede da Comunidade (muçulmana) Ismaili de Lisboa comemora 25 anos é o propósito da emissão de selos posta a circular pelos CTT – Correios de Portugal na última segunda-feira, 14 de Outubro.
A emissão é uma folha especial, ou um bloco filatélico, com quatro selos, com os valores faciais de 0,65, 0,90, 1,20 e 1,30 euros e que pode ser adquirida por 4,05€. Com uma tiragem de 70 mil exemplares, os selos reproduzem oito fotos dos diferentes espaços, onde a arquitectura e a natureza se conjugam: “No Centro Ismaili, a relação entre a estrutura viva e a estrutura inerte é muito forte e permanente, sendo um conceito fundamental” da concepção do projecto, diz um texto de apresentação do edifício, na página da Comunidade Ismaili.
Os pátios interiores conjugam sempre as fontes, a flora mediterrânica e espécies tradicionais dos jardins portugueses (por exemplo, com a alameda de laranjeiras na escadaria principal), com a “presença de vegetação”, em pequenos canteiros ou em vasos, mas de forma a que as plantas não pesem no edifício e combinando “o nível estético com o técnico”. Por exemplo, uma das plantas que cobre a parte central da fachada voltada a nascente do Pátio Primavera, é a a figueira-trepadeira ou unha-de-gato (ficus pumila ou ficus repens), originária da China, Japão, Taiwan e Vietname, mas que se adaptou bem em Portugal. Inicialmente, explica o texto citado, a planta cresce de forma lenta, com pequenas folhas que aderem às superfícies inertes; mas após uma dezena de anos, as folhas crescem para o dobro ou o triplo, o caule torna-se robusto e lenhoso e pode frutificar com pequenos figos verdes não comestíveis. Torna-se então necessário podá-la de forma a não danificar o revestimento do pátio e a sua estrutura de fixação.
Pormenores geométricos do Pátio Primavera são um dos motivos dos selos. A par da perspetiva do jardim interior Char Bagh, pormenores da fachada exterior da Sala de Orações (mas não do interior) e cúpulas da entrada secundária.
Inaugurado em 11 de Julho de 1998 pelo então Presidente da República Jorge Sampaio, o Centro Ismaili, construído sobretudo em pedra lioz e jardins, ocupa uma área de 18 mil metros quadrados, dos quais 12 mil metros quadrados são pátios e jardins. Com o tempo, afirmou-se também como um símbolo do encontro entre a Comunidade Ismaili e Portugal. Ali já se realizaram, por exemplo, múltiplas iniciativas de âmbito cultural, incluindo concertos de música islâmica ou colóquios sobre liberdade religiosa.
Na altura da sua inauguração, o príncipe Karim Al-Husseini, líder da Comunidade Ismaili mundial (o Aga Khan) sublinhou o “simbolismo” dos edifícios que compõem o centro, “com base na pluralidade de culturas que caracterizam os ismailis aqui [em Portugal] e em todo o mundo”.
Identificado também pelo título religioso de Mawlānā Hazar Imam, o Aga Khan acrescentou: “O conjunto de instalações incluídas reflecte os valores fundamentais da Comunidade Ismaili, a sua organização, a sua disciplina, a sua consciência social, a importância das suas organizações comunitárias e a sua atitude para com a sociedade em que existe.”









