Um caminho de quem procura o que perdeu

O disco começa num tom de caminho esforçado, talvez um pouco melancólico, de quem procura o que perdeu: “Onde te escondeste, Amado…?” Cresce, depois, para perguntas e respostas, num diálogo entre a esposa e o esposo, onde se percebe a inspiração do Cântico dos Cânticos mas que procura, aqui, figurar a atracção da alma (esposa) por Cristo (o esposo, ou Amado).
Amancio Prada, que se tem dedicado a trabalhar poesia de grandes poetas espanhóis como Federico Garcia Lorca ou Rosalía de Castro, musicou o Cântico Espiritual em 1977 (já lá vão quatro décadas). O disco foi já reeditado sucessivamente, em diferentes versões (algumas com outras canções e poesias de São João da Cruz). No dia em que se celebra a festa litúrgica do místico espanhol, vale a pena trazer aqui esta obra maior da poesia espanhola.
Nos seus nove andamentos, a linguagem simbólica e enigmática do Cânticosão aqui traduzidas, como que num movimento de continuidade, pela música, voz e guitarra de Amancio Prada, aqui acompanhado por Jesús Corvino (violino) e Eduardo Gattioni (violoncelo). Isso mesmo escreveu Maria Zambrano em 1982, num comentário citado no disco: “Não se perde na formosura, não se embriaga na voz nem um instante. Música e voz não aparecem, pois, acrescentadas, mas extraídas do próprio poema. Núpcias de palavra e musicalidade.”
Título: Cantico Espiritual
Autor: Amancio Prada
Edição: Parlophone
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