“Esta não é uma iniciativa de manutenção da paz – é uma campanha de terror com o objetivo de traumatizar os nossos vizinhos até que eles se autodeportem”, afirmou o pastor Dan De Leon, durante a conferência de imprensa que duas dezenas de líderes religiosos de várias confissões deram no dia 22 de julho em Austin (Texas) para denunciar a atuação da polícia especial de imigração ICE contra migrantes no Texas, no Maine e na Flórida.
“Lamentamos cada morte, cada ato de violência e cada prática de fiscalização que coloque em risco desnecessário a vida humana, ou diminua a dignidade, concedida por Deus, dos nossos vizinhos imigrantes”, disse a bispa Sue Briner, do Sínodo do Sudoeste do Texas da Igreja Evangélica Luterana na América. Citada pelo jornal digital Religion News Service, a bispa acrescentou: “Quando o medo começa a moldar o quotidiano dos nossos vizinhos, é hora da Igreja se fazer presente.”
E sim, a Igreja fez-se presente: Briner estava acompanhada naquela conferência de imprensa por bispos, pastores, diáconos, rabinos e outros líderes religiosos de toda a região, alguns deles líderes da Igreja Metodista Unida, da Diocese Episcopal do Texas, da Conferência Centro-Sul da Igreja Unida de Cristo, do Conselho Nacional de Mulheres Judaicas e de outros grupos religiosos.
O encontro foi promovido pela Texas Impact, uma rede inter-religiosa de defesa de direitos humanos, em resposta à morte a tiro de Lorenzo Salgado Araujo, ocorrida em 7 de julho numa operação de agentes da ICE [ver 7MARGENS].
Os líderes religiosos presentes condenaram as deportações, os centros de detenção e as mortes decorrentes de ações de fiscalização conduzidas pela ICE, no âmbito dos esforços de deportação em massa decididos pela administração Trump.
“Candidatos a cargos nas forças de segurança devem ser obrigados a passar por uma triagem adequada, receber treino completo e minucioso e ser responsabilizados quando não atuarem de acordo com os padrões exigidos”, disse Elyse Rosenberg, membro do Temple Beth Shalom, uma sinagoga reformista em Austin.
Na ocasião, os líderes religiosos apresentaram uma lista de exigências que passam por impor “limites claros para o uso de força letal e o fim de táticas perigosas durante abordagens de veículos”, restringir “o uso de veículos descaracterizados e de agentes à paisana”, instalar uma “supervisão independente das operações da ICE, com consequências reais caso os agentes violem normas ou a lei” e identificação “clara e visível dos agentes da ICE que devem envergar câmaras corporais”.










