Num mundo marcado pela velocidade, pelos ecrãs e pelo acesso permanente a informação, ainda há lugar para a leitura lenta? O novo episódio do podcast Entre o Quadro e o Mundo, de Luís Francisco Marques, parte do livro enquanto objeto para refletir sobre atenção, pensamento e educação.
O episódio distingue o acesso à informação da experiência de ler, lembrando que nenhuma tecnologia pode fazer por nós o percurso interior de acompanhar um pensamento, voltar atrás, duvidar ou relacionar uma ideia com a própria experiência. Porque a chamada “leitura profunda”, estudada por Maryanne Wolf, exige tempo, memória, conhecimento prévio, empatia e pensamento crítico.
A reflexão de Luís Francisco Marques estende-se à escola e às bibliotecas, defendidas como espaços onde deve ser possível parar, estar em silêncio e ler sem que cada leitura tenha de resultar numa avaliação. Entre as propostas do autor estão círculos de leitura, momentos de leitura silenciosa e novas formas de fazer os livros circularem nas conversas entre alunos, professores e famílias.
Na rubrica “Entre Linhas”, Luís Francisco recomenda um livro de Daniel Pennac e os direitos do leitor, enquanto o cinema e a música entram também no episódio, através de A Livraria, de Isabel Coixet, e da canção Silêncio e Tanta Gente, de Maria Guinot.
“Um livro fechado é apenas um objeto. Um livro aberto é uma possibilidade”, resume o episódio, que termina com uma pergunta sobre o futuro da escola: se deixarmos de ser capazes de ler devagar, quanto tempo faltará até deixarmos também de ser capazes de pensar por nós próprios?
Este programa, que pretende ser um convite à reflexão num mundo cada vez mais polarizado e automático, está a ser transmitido às sextas-feiras na Rádio Regional do Centro, e é cedido pelo autor e pela RRC ao 7MARGENS.
A reflexão completa pode ser escutada a seguir.













