Entre 30 de setembro e 5 de outubro, o regime iraniano executou mais cinco jovens participantes nos protestos de janeiro de 2026, elevando para 34 o número apurado pela Amnistia Internacional (AI) de pessoas executadas na sequência daquele movimento de revolta. Diana Eltahawy, diretora regional-adjunta para o Médio Oriente e Norte da África da AI declarou, hoje, 13 de outubro: “Estas execuções arbitrárias são um lembrete aterrador de como as autoridades iranianas utilizam a pena de morte como arma para manter a população em silêncio pelo terror.”
Reagindo às execuções de Ali Hemmati Sistanian, Alireza Raisi, Alireza Sepahi, Majid Nikandish e Siavash Jamshidi Kheirabadi, Eltahawy lembrou que “estas execuções ocorreram após relatos que ilustram um padrão assustador e familiar: negação de acesso a advogados durante os interrogatórios, tortura, uso de ‘confissões’ forçadas transmitidas pela televisão como prova e julgamentos perante tribunais revolucionários que são inerentemente injustos”.
A responsável da Amnistia recordou que, entre outros, Alireza Sepahi relatou ter sido submetido a tortura e outros maus-tratos durante a detenção, incluindo confinamento solitário prolongado, espancamentos e choques elétricos, além de ter tido negado o acesso a um advogado durante os interrogatórios na fase de investigação.
Para Eltahawy as informações de que a AI dispõe não deixam dúvidas quanto à existência de “um grande número de pessoas, incluindo dissidentes e manifestantes, que continua correndo risco de execuções por motivação política” dado que “as autoridades têm intensificado a repressão alegando ‘condições de guerra’ e ameaças à segurança nacional”. Esta situação, afirma Eltahawy. “aumenta a necessidade urgente de pressão diplomática coordenada sobre o Irão para interromper todas as execuções planeadas”.
A Amnistia Internacional defende que o Conselho de Segurança da ONU encaminhe a situação no Irão para o Tribunal Penal Internacional e que a Assembleia Geral da ONU estabeleça um mecanismo de justiça penal internacional para o país.
Alireza Raisi e Alireza Sepahi foram executados em Isfahan a 5 de outubro de 2026 depois de “um julgamento flagrantemente injusto, no qual suas ‘confissões’ forçadas foram transmitidas pelos media estatais em 23 de janeiro de 2026, antes mesmo do julgamento”.
Recorde-se que durante a revolta de janeiro de 2026 as autoridades iranianas desencadearam uma repressão violenta matando milhares de manifestantes e transeuntes, sobretudo nos dias 8 e 9 de janeiro. De acordo com a Amnistia Internacional “as execuções por motivação política intensificaram-se ainda mais após os ataques ilegais dos EUA e de Israel contra o Irão em 28 de fevereiro de 2026, ao passo que continuam as execuções por crimes relacionados com drogas e outras infrações”.










