
Assumindo-se como cristão e católico, Daniel Ortega afirmou que não se sente representado, por tudo o que se sabe da “terrível história” da Igreja Católica. Foto: Direitos reservados.
Depois de diversas ações que indiciam perseguição à Igreja Católica (desde a expulsão do núncio apostólico em Manágua à detenção de diversos padres e bispos, passando pelo silenciamento de vários média católicos), o Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, veio agora a público acusar a Igreja de não ser verdadeiramente cristã, e os padres de serem “um bando de assassinos”.
Durante um discurso a propósito do 43º aniversário da Polícia Nacional, assinalado esta quarta-feira, 28, Ortega referiu que a Nicarágua tem sofrido com “ataques constantes” da Igreja. “Aqui, no ano 2018, alguns bispos e sacerdotes, aproveitando-se do seu cargo, em vez de assumirem uma atitude cristã, assumiram uma atitude terrorista”, referiu o chefe de estado, acusando os padres de terem incitado a população a matá-lo e a tomar o poder. “Uma instituição como a Igreja Católica, a usar os seus bispos aqui na Nicarágua para fazer um golpe. Desde quando os padres servem para dar um golpe? E desde quando têm autoridade para falar de democracia?”, questionou.
Ortega prosseguiu o discurso, acusando a própria Igreja de ser ditatorial. “Quem escolhe os sacerdotes? Quem escolhe os bispos? E quem escolhe o Papa? Os cardeais? Quantos votos? Quem os dá? Se querem ser democráticos, que comecem a escolher com o voto dos católicos. (…) É uma ditadura, uma ditadura perfeita, uma tirania perfeita”, enfatizou.
Assumindo-se como cristão e católico, Daniel Ortega afirmou que não se sente representado, por tudo o que se sabe da “terrível história” da Igreja Católica e “também pelo facto de ouvi-los falar de democracia e não praticarem a democracia”.
O presidente da Nicarágua prosseguiu o discurso criticando ainda as Nações Unidas, por “terem deixado de ser o que deviam ser” e se terem convertido “num instrumento do império norte-americano e do império europeu, com um secretário-geral que é um fantoche dos norte-americanos”.
“O que é razoável, se queremos paz no mundo, é que as armas atómicas sejam destruídas (…) e todos os armazéns de armas atómicas sejam destruídos e que esses recursos sejam usados para o desenvolvimento”, defendeu.
“Vamos fazer da democracia uma realidade em todos os campos, o que significa que se façam votações para todos os campos, e principalmente no campo religioso que é tão sensível”, concluiu.










