
“Considerando a crise energética atual e o seu impacto na vida, na saúde e na dignidade humanas, a energia deve ser gerida
de forma justa para que todos tenham acesso a ela a preços acessíveis”, pode ler-se no comunicado da Comece. Foto © Mercava.
A Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia (Comece) apelou esta segunda-feira, 7, a “todos os que têm responsabilidades na vida pública” para que, “com a aproximação do inverno na Europa”, não abandonem “famílias e pessoas vulneráveis ou vítimas de discriminação socioeconómica, incapazes de lidar com a inflação crescente e de pagar aquecimento ou eletricidade”. Num comunicado divulgado através sua pagina online, os bispos pedem aos governos que garantam, em particular, que “a energia é fornecida, de forma segura e suficiente, para todos”.
“Considerando a crise energética atual e o seu impacto na vida, na saúde e na dignidade humanas, a energia deve ser gerida
de forma justa para que todos tenham acesso a ela a preços acessíveis”, pode ler-se no comunicado. Os bispos europeus sublinham ser “necessário melhorar a responsabilidade pública sobre o setor da energia, através de uma distribuição justa dos recursos energéticos, evitando uma monopolização por qualquer Estado, grupo de interesse ou empresa, em detrimento dos pobres e países que muitas vezes pagam o preço da má gestão política e da especulação”.
Na opinião dos responsáveis religiosos, “o mau uso da energia como ferramenta de coerção geopolítica que testemunhamos atualmente deve levar a comunidade internacional a encontrar meios institucionais para uma gestão global efetiva, inclusiva e equitativa da energia, uma vez que uma paz real e duradoura só será possível com uma ética global de solidariedade e cooperação”.
Na sua declaração, a Comece assinala ainda que o setor agro-alimentar “também está a sofrer terrivelmente com o aumento dos preços da energia e com a escassez de fertilizantes”. Os bispos temem, por isso, que venha a haver “uma interrupção no fornecimento”, pedindo que seja garantida a “continuidade dos ciclos de produção” e a “capacidade de fornecer alimentos básicos para todos a preços acessíveis”.
No texto, salvaguardam, no entanto, que “apesar da emergência premente, não devemos perder de vista os objetivos a longo prazo de uma transição energética justa e sustentável”. Trata-se de um apelo a uma “solidariedade coletiva”, em que “cada membro das nossas sociedades”, em que somos convidados “a cuidar uns outros e a procurar um consumo de energia responsável”.
No passado dia 14 de outubro, a Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia havia já lançado um apelo veemente à Rússia para suspender a guerra na Ucrânia e a todas as partes para que se abrissem a negociações com respeito pela integridade territorial da Ucrânia.










