AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

Os jovens e a abstenção

Os jovens e a abstenção

by | 7 Jun 19 | Entre Margens, Últimas

O símbolo do euro iluminado, junto da sede do Banco Central Europeu, em Frankfurt: “É preciso perder tempo a explicar e a ensinar e também é preciso que os jovens procurem informar-se.” Foto © António Marujo

68,6%: foi esse o valor da abstenção a nível nacional para as eleições europeias de 2019. Pela Europa, em média, os valores são mais baixos e conheceram uma digna diminuição em relação às eleições de 2014. No entanto, é inequívoco que a Europa e Portugal têm uma tarefa grande pela frente. Mais grave se torna o cenário olhando para a abstenção jovem em Portugal. De resto, várias instituições, com base nos vergonhosos números de 2014, lançaram campanhas de apelo ao voto, sobretudo, jovem. Criaram-se trends, postsnas redes sociais, fizeram-se vídeos. Simples, com apenas uma frase, longos e complexos, pedagógicos e organizados. No entanto, e saudando imenso os esforços que foram feitos e ainda não conhecendo os números com precisão, não me parece que tenha havido uma mudança extraordinária e estrutural.

A geração mais qualificada de sempre; aquela que tem mais facilidade em aceder à informação (também à desinformação, diga-se); a geração que usufrui do programa Erasmus, que viaja vezes sem conta sem usar um passaporte, que estudou em escolas altamente equipadas com financiamento europeu, que vai ser realmente afetada por um futuro que ainda parece incerto, é essa mesma geração que fica em casa na hora de votar.

Procurei perceber junto dos meus amigos o porquê deste fenómeno. Fui ouvindo comentários de vária ordem: desde o “são todos iguais” até “sabes, política não é bem a minha cena”. Em ambos os casos, não tenho dúvidas de que são comentários que apenas tentam colocar o peso da responsabilidade na política que, supostamente, não cativa o suficiente. Havia 17 programas políticos a ir a votos nestas eleições: socialistas, comunistas, verdes, liberais, conservadores, europeístas, eurocéticos, crentes numa Europa de Nações, crentes numa Europa mais integrada, etc., etc. Não acredito que nenhum conseguisse ser minimamente “a cena” de cada um. Na verdade, esta posição tenta esconder uma responsabilização, que não se quer assumir, de que não se procurou informação ou que não se tem consciência exata de como a decisão política tem impacto nas suas vidas.

Talvez a roupinha lavada e a comida na mesa ou a paz europeia como dado garantido, ainda que inseguro, faça com que os jovens não se apercebam dos incentivos que têm para olhar para a política. Porque eles existem, de facto, falta percebê-los. Se se tem conseguido construir uma juventude, por exemplo, ambientalmente consciente no geral, porque não temos conseguido com o mesmo sucesso construir uma consciência política semelhante? Quando falo de consciência política não é necessariamente pertencer a um partido ou, sequer, ter uma ideologia definida. É saber lidar e participar no processo político, mesmo que apenas enquanto cidadãos.

As várias instituições (a nível europeu e nacional) têm de começar a procurar ensinar cidadania e processos de participação e envolvência política. Da mesma forma como na escola se apela a criar e realizar atividades ligadas ao ambiente, nas quais se faz uma consciencialização para a problemática desde cedo em aula que, de resto, tem sido bem-sucedida. Saber como funciona um Parlamento, quais são os vários órgãos fundamentais do país e da UE, como é que eles afetam as nossas vidas, etc., também é essencial.

É preciso perdermos tempo a explicar e a ensinar, várias vezes, ao longo do tempo em que a criança/jovem vai desenvolvendo a sua personalidade e noção do Mundo. Com paciência. Para que, chegados à hora de votar, não pareça tarde de mais. Mas é também preciso que, tendo a informação à distância de um clique, os jovens procurem informar-se. Ou pelo menos que entendam que podem e devem fazê-lo. Ao trabalho.

 

João Catarino Campos é estudante de Economia no ISEG – Lisbon School of Economics and Management. joaopccampos24@gmail.com

[related_posts_by_tax format=”thumbnails” image_size=”medium” posts_per_page=”3″ title=”Artigos relacionados” exclude_terms=”49,193,194″]

Últimas Notícias

Últimas Notícias

Bispos portugueses debatem crise da habitação, processo sinodal e proteção de menores

Reunidos em Fátima na próxima semana

Bispos portugueses debatem crise da habitação, processo sinodal e proteção de menores novidade

A crise da habitação e as condições de vida dos portugueses vão estar entre os temas de reflexão da 216.ª Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), que arranca na próxima segunda-feira, 9 de novembro, em Fátima. Os trabalhos incluem ainda o ponto da situação do processo sinodal, a definição de uma nova fase do processo de proteção de menores e adultos vulneráveis e uma reflexão na sequência do encontro de outubro, em Roma, sobre a exortação apostólica Amoris laetitia.

Entre a linguagem do púlpito e a ‘voz’ da sacristia

Imprensa católica no PREC

Entre a linguagem do púlpito e a ‘voz’ da sacristia novidade

A comunicação social originou os maiores confrontos, durante e após o PREC, entre a hierarquia da Igreja Católica e vários Governos. Mas nem sempre por causa dos jornais diocesanos e dos boletins paroquiais que foram a sua voz mais dileta – sustentou o jornalista e investigador Alexandre Manuel na sua intervenção no colóquio Liberdade de imprensa: revolução e democracia em Portugal, organizado pelo Centro de Estudos de História Religiosa em parceria com o 7MARGENS.

Missão aMar em Porto Belo: agindo Deus, quem impedirá?

[Testemunho]

Missão aMar em Porto Belo: agindo Deus, quem impedirá? novidade

Ultrapassando os receios e as dificuldades logísticas e financeiras, fomos preparando a missão e finalmente pudemos partir para o Brasil no dia 24 agosto, para continuar a servir e a pescar. Sim, em certo sentido, também somos “pescadores de homens” como o nosso patrono São Pedro, e fomos impelidos pela urgência do apelo de Jesus “vai e reconstrói a Minha Igreja”, dirigido a São Francisco de Assis e a todos nós, que somos a Igreja. [Testemunho do padre Tiago Fonseca]

Que propósito último, enquanto Humanidade, devemos perseguir?

[Entre Margens]

Que propósito último, enquanto Humanidade, devemos perseguir? novidade

Sem prejuízo dos propósitos particulares que, em liberdade, cada ser humano tem direito a perseguir, julgo que há propósitos comuns que têm a ver, desde logo, com a preservação dessa mesma liberdade. Se há um ou mais propósitos comuns à espécie, eles têm a ver, precisamente, com aquilo que torna a vida do ser humano, não apenas possível, mas significativa e com sentido. [Texto de Rúben Azevedo].

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.