A notícia da morte do Papa Francisco chegou a Taizé enquanto os irmãos e jovens de inúmeros países se encontravam reunidos na igreja para a oração comunitária da manhã. Muitos souberam pela voz comovida, mas serena, do prior da comunidade, o irmão Matthew, que tomou a palavra para rezar: “Deus fiel, damos-te graças pela vida do tão amado Papa Francisco, a quem chamaste para junto de ti esta manhã. (…) Com coragem, incentivou-nos a escutar hoje a voz do Espírito Santo e a ir às periferias da Igreja e às margens da sociedade, para vivermos o sinal de um amor maior. Louvor a ti!”.
O prior de Taizé (comunidade ecuménica que vive na aldeia da Borgonha com o mesmo nome, cerca de 100 quilómetros a norte de Lyon) escreveu depois um texto de homenagem a Francisco, onde manifesta a “imensa gratidão pela sua vida”, e em particular a gratidão da comunidade pelo facto de o Papa “ter trabalhado incansavelmente pela unidade dos cristãos”.
Na sua mensagem, o irmão Matthew recorda o momento em que soube que Bergoglio tinha sido o eleito, a 13 de março de 2013. “Vários irmãos estavam presentes em Roma nesse momento, e eu encontrava-me na Rússia, na cidade de Nijniy Novgorod, acolhido por um padre católico argentino. Fora o cardeal Arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, quem o tinha enviado para a Rússia alguns anos antes. Tendo assistido juntos ao anúncio em direto, o padre exclamou: ‘Eu sou católico, tu és anglicano, estamos em terra ortodoxa – é o sinal de que este pontificado será ecuménico!’ E, ao recordar essas palavras, só as posso confirmar”, escreve o prior de Taizé.
O responsável da comunidade ecuménica dá vários exemplos de “visitas marcantes e gestos concretos” de Francisco no âmbito dessa missão. “Recordo com particular estima a sua amizade com o Patriarca Bartolomeu, com numerosos responsáveis ortodoxos e protestantes, bem como o acolhimento fraterno que ofereceu ao Papa Tawadros em Roma, em maio de 2013; a sua viagem ao Sudão do Sul com o Arcebispo Anglicano de Cantuária e o moderador da Igreja da Escócia; e também a sua presença nas cerimónias que assinalaram os 500 anos da Reforma Luterana, em Lund, na Suécia, onde expressou a sua gratidão ‘pelos dons espirituais e teológicos recebidos através da Reforma'”.
“Neste dia, guardo de forma muito especial no coração a recordação da vigília de oração comunitária ecuménica Together. Desde a origem desta ideia, lançada pelo meu predecessor, irmão Alois, na abertura do Sínodo sobre a sinodalidade, o Papa manifestou total apoio”, acrescenta o irmão Matthew. “A sua presença na Praça de São Pedro, no dia 30 de setembro de 2023, e a forma como acolheu os responsáveis cristãos de todas as Igrejas demonstraram um verdadeiro desejo de comunhão fraterna na caridade.”
Um rio de diferenças inundou a Praça de São Pedro com desejos de unidade e paz
E sublinha ainda “os apelos do Papa Francisco para se juntar aos mais vulneráveis, acolher os migrantes e refugiados, ouvir o grito da Terra e o grito dos pobres”, que muito “falaram a Taizé”.
Lembrando que “há algumas semanas, deveria tê-lo reencontrado para uma nova audiência, mas a sua hospitalização não o permitiu”, o irmão Matthew conclui: “Eis que o seu pontificado termina neste dia de segunda-feira de Páscoa. Com os irmãos e os numerosos jovens reunidos em Taizé nestes dias, oramos por ele, cheios de uma profunda gratidão pela sua vida e pelo seu serviço ao Evangelho e à Igreja”.










