Na véspera da reunião da Assembleia-Geral do Sínodo dos Bispos sobre a Sinodalidade, o 7MARGENS convida os seus leitores a dizerem o que esperam deste importante acontecimento. Todos são chamados a expressarem-se. Divulgamos hoje sexto texto (ver textos já publicados).

Posso dizer que sou contra todos os géneros de exclusão. Contudo, para deixar espaço para outros, fixo-me apenas na exclusão dos católicos recasados.
Há cerca de 30 anos, no âmbito de um curso para jovens, organizado pela Acção Católica Rural, tendo como alvo perto de 50 jovens de várias paróquias da diocese de vila Real, convidámos um casal de divorciados recasados, para nos falarem sobre as suas vivências como cristãos nessa concreta situação. Foram muito bem acolhidos e os jovens apreciaram os seus testemunhos.
Com o tempo, o Joaquim, chamemos-lhe por este nome, veio a integrar o movimento e a participar assiduamente nas nossas actividades, o que ainda hoje faz com muita alegria.
Não há muitos anos, em plena Quaresma, casualmente, participámos na Eucaristia dominical, na mesma igreja, sentados, um ao lado do outro.
Quando chegou a altura da comunhão, levantei-me e dirigi-me para o altar para comungar.
Para meu espanto, quando cheguei ao meu lugar, o Joaquim já não se encontrava ali. Tinha saído. Sentiu-se excluído. Não estava ali a fazer nada.
Fiquei revoltado.
Nessa altura, enquanto fazia a minha oração de acção de graças, repito, muito revoltado, pensei para mim que me apetecia de uma próxima vez, trazer a hóstia e dividi-la com esse meu amigo, discretamente.
Ainda hoje penso nisso. Nunca abordei esse assunto com ele. Mas continuo repeso de não me ter lembrado desse gesto de comunhão com um irmão, que vai participar na Eucaristia e que sai antes do “Ite missa est”, porque se sente excluído na sua Igreja.
Espero que este Sínodo acabe de vez com esta exclusão sem qualquer justificação, porque, como diz o Papa, a Eucaristia não é para os santos, é para todos, mesmo para os que numa relação divina, mas também humana, não acertaram à primeira vez.
Ficarei muito penalizado se isso não resultar do próximo Sínodo. E não me venham com muitas explicações teológicas, no sentido de tentarem manter esta situação porque sim, porque resulta da tradição, porque vai contra este ou aquele ensinamento do Mestre.
Caseiro Marques










