António dos Santos foi durante muitos anos a voz que milhares de pessoas ouviram, “com o seu timbre sonoro, mas suave”, por todo o país, através das ondas da rádio, em programas radiofónicos batistas, como Música para Meditar ou nas versões portuguesas dos filmes em bobine do Instituto Bíblico Moody e da Associação Evangelística Billy Graham. Morreu agora aos 93 anos.
Nascido em Tondela, Viseu, a 20 de setembro de 1932, a Aliança Evangélica Portuguesa (AEP) dá nota em comunicado que António dos Santos caracterizava-se também pelo “trato simpático e delicado”, “para além do sentido de humor discreto, mas sempre oportuno”.
Batizado em 1950, iniciou os estudos no Seminário Teológico Baptista em Leiria, fundado em 1949 por Samuel Faircloth, missionário norte-americano, cidade onde foi consagrado ao ministério pastoral a 28 de julho de 1957, iniciando o pastorado na Igreja Baptista local.
Jovem seminarista destacou-se pelos seus dotes oratórios na pregação e no ensino da Palavra de Deus, e serviu, como pastor, ainda as igrejas batistas de Alcobaça, Queluz, Cacém, Nazaré e Matos (Marinha das Ondas).
De acordo com o comunicado da AEP, em 1961, atendeu ao apelo da Terceira Igreja Baptista de Lisboa, fundada em 1956 pelo missionário brasileiro Hélcio da Silva Lessa, para assumir interinamente o pastorado desta jovem igreja. Nela permaneceu como seu pastor titular até 2011 e, desde então até à sua morte, como pastor emérito.
Nas cinco décadas que permaneceu nesta igreja na capital, a comunidade viveu “um período de notável crescimento e de amadurecimento espiritual”, com uma “liderança serena”, que “consolidou a identidade bíblica da igreja e fortaleceu os seus diferentes ministérios, formando várias gerações de crentes e de colaboradores na Obra batista e evangélica em geral”.
António dos Santos também se destacou pelas muitas funções que foi exercendo no contexto dadenominação batista em Portugal. Foi presidente da Convenção Baptista Portuguesa (CBP) por duas vezes: a primeira vez em 1961-1962 e depois de 1977 a 1980. Trabalhou na área de comunicações da CBP, tendo sido redator e diretor do jornal Semeador Baptista, em diversas ocasiões. Dirigiu também campanhas nacionais de evangelização, antes e depois de se estabelecer o regime democrático em Portugal.
Na AEP foi membro da sua Direção entre 1961 e 1965 e novamente entre 1986 e 1989. Tornou-se ainda presidente da Mesa da Assembleia Geral da AEP em 1991.
Dos dados biográficos deste pastor, o texto sublinha ainda que António dos Santos “foi ainda instrumental para que os evangélicos viessem a assegurar um espaço na emissora pública, hoje garantido pelos programas Caminhos e Luz das Nações, tendo sido o responsável pelo primeiro programa evangélico alguma vez emitido na televisão portuguesa”.
“A memória da sua vida continuará a inspirar todos quantos foram alcançados pelo seu ministério e pela sua amizade”, aponta na despedida a AEP.










