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Jubileu 2025

Jubileu das Comunicações

Cardeal Tolentino e primeira prefeita do Vaticano com jornalistas e comunicadores portugueses

| 23/01/2025

Um diálogo sobre o pontificado do Papa Francisco, com o tema “Francisco, um pontificado de esperança”, será a primeira iniciativa de um grupo de 40 jornalistas e outros profissionais da comunicação que estarão neste fim-de-semana em Roma, para participar no Jubileu dos Jornalistas e do mundo da comunicação.

O debate, que decorre a partir das 10h00 da manhã (9h00 em Lisboa), contará com a participação do cardeal José Tolentino Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, da irmã Simona Brambilla, prefeita do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e primeira mulher a dirigir estes organismos da Cúria Romana, além do padre jesuíta Antonio Spadaro, subsecretário do Dicastério para a Comunicação.

A iniciativa do grupo português é promovida pela Conferência Episcopal, que para isso lançou o convite a muitos jornalistas e responsáveis ou membros de departamentos de comunicação de instituições da Igreja Católica. Cerca de 20 jornalistas, a maior parte deles de meios de comunicação católicos, estarão presentes.

Na sexta-feira, o programa completa-se com a celebração de uma eucaristia na Basílica de São João de Latrão em memória de São Francisco de Sales, patrono dos jornalistas e escritores, cuja data litúrgica se assinala precisamente neste dia 24. A missa, ao final da tarde, será presidida pelo cardeal Baldo Reina, vigário-geral da Diocese de Roma.

Sábado de manhã, os participantes terão a oportunidade de atravessar a Porta Santa da Basílica de São Pedro, um gesto simbólico dos jubileus, que culminará com um encontro com o Papa Francisco na Aula Paulo VI. Antes disso, haverá um debate com Maria Ressa, jornalista filipina e prémio Nobel da Paz, e o escritor irlandês Colum McCann, distinguido já com vários prémios internacionais e autor de livros como Apeirogon: Viagens Infinitas (Porto Editora), Cartas a um Jovem Escritor (Clube do Autor) ou Deixa o Grande Mundo Girar (Livraria Civilização Editora). O debate será moderado por Mario Calabresi, e terá como foco o poder da comunicação em tempos de crise e a importância de contar histórias de esperança.

Na tarde de sábado, uma dezena de debates simultâneos abordará temas como o papel dos média na construção da paz, o jornalismo como uma missão ou a dimensão da esperança na comunicação. O programa culmina no domingo, 26, com a missa presidida pelo Papa Francisco na Basílica de São Pedro, coincidindo com o VI Domingo da Palavra de Deus, instituído por Francisco em 2019.

 

Trégua global, perdão das dívidas e amnistia

Jovens pela Paz. Foto Syda productions

Jovens de diferentes geografias pela paz: o Papa quer que “o primeiro sinal de esperança se traduza em paz para o mundo, mais uma vez imerso na tragédia da guerra.” Foto © Syda productions

O Jubileu de 2025, proclamado pelo Papa Francisco na bula Spes non confundit (“A esperança não engana”), é o 27.º jubileu ordinário da história da Igreja, marcado pela temática da esperança, e teve início em 24 de dezembro de 2024, com a abertura da Porta Santa na Basílica de São Pedro. A celebração do Jubileu do Mundo das Comunicações destaca a importância de narrar histórias que, mesmo em tempos difíceis, revelam as “centelhas de luz” presentes no mundo, como destaca o programa oficial do Vaticano.

Entre os dias 27 e 29 (segunda a quarta-feira), realiza-se entretanto uma outra iniciativa, a Conferência Internacional dos Comunicadores Institucionais Católicos, na qual participam 200 bispos, presidentes das Comissões Episcopais para a Comunicação e directores de gabinetes de comunicação de Conferências Episcopais e Institutos Religiosos.

Este Jubileu 2025 foi convocado pelo Papa de acordo com a tradição dos anos jubilares a cada 25 anos. Na bula de proclamação, Francisco pede uma trégua global nos conflitos e guerras que grassam no mundo, o perdão das dívidas dos países pobres, como forma de reparação histórica, uma amnistia para os presos e o convite a todos os cristãos a que encontrem uma data comum para celebrar a Páscoa.

Fazendo referência ao tema do Jubileu e ao título da bula, Spes non confundit (“A esperança não desilude”), Francisco escreve no documento: “Que o primeiro sinal de esperança se traduza em paz para o mundo, mais uma vez imerso na tragédia da guerra.” Lamenta depois que a humanidade se mostre “esquecida dos dramas do passado” e esteja de “novo submetida a uma difícil prova, que vê muitas populações oprimidas pela brutalidade da violência”. E faz várias perguntas: “Faltará ainda a esses povos algo que não tenham já sofrido? Como é possível que o seu desesperado grito de ajuda não impulsione os responsáveis das nações a querer pôr fim aos demasiados conflitos regionais, cientes das consequências que daí podem derivar a nível mundial? Será excessivo sonhar que as armas se calem e deixem de difundir destruição e morte?” (ver 7MARGENS)

(Imagem de destaque: logotipo do Jubileu 2025 promovido pela Igreja Católica)

 

Fazer descansar a terra, libertar os presos

Cartaz com os dizeres "Stop War!!!" numa manifestação pela paz em fevereiro de 2022 na Piazza Donatori del Sangue em Veneza, Itália. © Creative Commons

Cartaz a dizer “Parem a guerra”, numa manifestação pela paz em Fevereiro de 2022 em Veneza, Itália. © Creative Commons

Os jubileus, uma tradição dos judeus referida na Bíblia, foram retomados no ano 1300 pelo Papa Bonifácio VIII que, na bula de instituição, estabelecia a libertação das culpas e das penas “para quem estivesse verdadeiramente arrependido e se tivesse confessado dos próprios pecados” como um dos principais desideratos.

Nos tempos bíblicos, o livro do Levítico conta, no capítulo 25, que Deus pediu um ano de repouso da terra de sete em sete anos – o chamado ano sabático. Após sete ciclos de sete anos, pediu: “Santificareis o quinquagésimo ano, proclamando na vossa terra a liberdade de todos os que a habitam. Este ano será para vós um jubileu: cada um de vós voltará à sua propriedade, e à sua família. O quinquagésimo ano é o ano do jubileu: não semeareis, não colhereis do que cresce espontaneamente, nem vindimareis as vinhas que não foram podadas. (…) Neste jubileu, cada um de vós recobrará a sua propriedade.”

O ano jubilar era, assim, um tempo de repouso e reorganização social: libertação dos escravos, perdão das dívidas, retoma do direito à posse da terra, descanso da terra. A origem do nome deve-se ao yobel (que daria “júbilo”), o chifre de carneiro tocado para anunciar o seu início: “No dia do grande perdão, fareis ressoar o som da trombeta através de toda a vossa terra.”

Hoje, já são poucos os judeus que respeitam a tradição do jubileu. Alguns agricultores que seguem as correntes ortodoxas deixam as suas terras em repouso de sete em sete anos. Mas o conceito permanece sobretudo como uma ideia de ciclo do tempo. A propósito do jubileu do ano 2000, o rabi Philippe Haddad, de França, explicava ao La Croix: “É toda a diferença entre a Bíblia e a filosofia grega. Nesta última, o ciclo traz a tragédia. Na Bíblia, pelo contrário, o ciclo é portador de esperança, é a tomada de consciência de que podemos inovar.”

Já há 25 anos, naquele que foi o primeiro jubileu católico da era mediática, o então Papa João Paulo II insistiu muito no objectivo do perdão da dívida dos países pobres – apoiado por muitas instâncias católicas e por várias organizações civis, incluindo por artistas como Bono Vox, dos U2.

 

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