
Neste período eleitoral, é preciso “evitar firmemente a obstrução das possibilidades do diálogo, aberto e respeitoso, em que se procure alcançar uma síntese que vá mais além das polarizações”, afirma a Comissão Justiça e Paz de Braga. Foto © Mikhail Nilov/Pexels
A Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Braga considera imperativo “que se comece a configurar uma reforma do sistema político”, e que a Política possa “corresponder ao desafio de merecer a confiança dos cidadãos”. Caso contrário, continuaremos a assistir à capitalização do “descontentamento dos eleitores em relação aos eleitos” por “‘populistas’ ou por outras manifestações de rejeição da política”, alerta aquele organismo católico numa nota divulgada esta quarta-feira, 28 de fevereiro, a propósito das eleições de 10 de março.
“É crucial para a saúde da democracia que os portugueses reconheçam que os seus interesses são defendidos pelos seus representantes, sendo os eleitos capazes de escutar ativamente os eleitores e os seus problemas”, afirma a Comissão.
Neste período eleitoral, em particular, é preciso “evitar firmemente a obstrução das possibilidades do diálogo, aberto e respeitoso, em que se procure alcançar uma síntese que vá mais além das polarizações”, pode ler-se no texto, que acrescenta: “A política não pode ser compreendida nem tratada como uma sala de audiências judicial ou uma sala virtual televisionada. A vida política deve decorrer com responsabilidade, com um combate aberto de ideias, com diálogo franco e transparente. Tal é ainda mais pertinente no período de campanha eleitoral. Apenas assim os cidadãos eleitores podem avaliar devidamente as políticas e soluções de governo que lhe são apresentadas”.
A Comissão Justiça e Paz sublinha ainda quais devem ser os papéis da justiça e dos “comentadores televisivos ou opinion makers“: a primeira “tem de ficar confinada à investigação de quem comete ilegalidades, não interferindo no normal e regular funcionamento democrático”; os segundos “devem sempre apresentar a sua declaração de interesses, devendo ser contemplada a diversidade e a pluralidade de opiniões face às propostas políticas em apreço”.
Recordando o apelo feito pelo Papa durante a Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023 para a inclusão de “todos, todos, todos”, a Comissão da arquidiocese de Braga defende que “a necessária concretização política” do mesmo “implica, desde logo, “um permanente empenho na procura de uma concórdia no debate de opções para o futuro e um vivo combate às exclusões sociais, designadamente as que nascem das injustiças”.
E citando, uma vez mais, Francisco, na sua encíclica Fratelli Tutti, o grupo da Igreja Católica lembra que importa “um debate saudável sobre “projetos a longo prazo para o desenvolvimento de todos e o bem comum'”, em vez de “semear o desânimo e despertar uma desconfiança constante, mesmo disfarçada por detrás da defesa de alguns valores”.









